A menos de 20 dias da eleição presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) coloca finalmente a segurança pública no centro de sua agenda no Rio de Janeiro. Nesta sexta-feira (18), o presidente participa de um evento na sede da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para acompanhar ações integradas de enfrentamento ao crime organizado e apresentar medidas voltadas ao estado. A expectativa é que Lula, junto com o governador interino, Ricardo Couto, apresente um plano para a segurança do Rio.
A mudança de foco ocorre em um momento delicado para a campanha petista no Rio. Pesquisa Quaest divulgada em 8 de setembro mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 34% e Lula com 32% no primeiro turno. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Em eventual segundo turno, porém, Flávio registra 43%, contra 37% de Lula. O levantamento ouviu 1.302 eleitores entre 4 e 7 de setembro, com nível de confiança de 95%.
Pressão por mudança na estratégia
O desempenho no estado provocou críticas dentro da própria base de Lula. O prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, cobrou uma campanha mais conectada aos problemas cotidianos e às entregas do governo. Em entrevista ao jornal O Globo, disse:
“O Flávio Bolsonaro vai para a televisão e aparece dentro de um supermercado falando da vida real, concreta, que, aliás, era muito pior no governo do pai dele. Ele vai lá fazer fake news, mas falando de coisas do dia a dia, e nós falando de terras-raras”, afirmou Quaquá.
Aliado de Lula no Rio, o candidato ao governo Eduardo Paes (PSD) também em entrevista ao Globo, demonstrou ressalvas sobre a capacidade de um evento cultural de apoio ao presidente, previsto para reunir Chico Buarque, Caetano Veloso e Maria Bethânia, ampliar o eleitorado petista.
“Se eu for convidado, eu vou. Mas não acho exatamente o melhor lugar para arrumar voto novo”, afirmou Paes.
Governo aposta em integração das forças
A agenda desta sexta-feira reforça iniciativas que já vinham sendo articuladas pelo governo federal. No início de setembro, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o governo fluminense assinaram dois acordos de cooperação técnica, voltados à retomada de territórios controlados por organizações criminosas e à proteção de corredores logísticos do estado.
A estratégia prevê ampliar o compartilhamento de informações entre forças federais e estaduais, integrando sistemas como Sinesp, Infoseg e o Sistema Integrado de Segurança Pública (SISP) do Rio. Os dados devem subsidiar diagnósticos, georreferenciamento de ocorrências e identificação de áreas sob risco de expansão do crime organizado.
Retomada de territórios
Outro eixo é a recuperação de áreas dominadas por grupos criminosos. A proposta combina inteligência territorial, apoio tático-operacional e ações de inteligência financeira e patrimonial para atingir também as fontes de financiamento das organizações.
O planejamento prevê que a retomada territorial seja acompanhada pela permanência do poder público, com políticas de segurança, infraestrutura, desenvolvimento social e econômico e acesso à Justiça. A agenda desta sexta-feira coloca esse conjunto de ações no centro da estratégia do governo federal para o Rio justamente na reta final da disputa presidencial.







Deixe um comentário