O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne na manhã desta quinta-feira, no Palácio do Planalto, todos os ministros que já governaram seus estados para discutir estratégias de segurança pública. O tema ganhou centralidade na agenda do governo federal desde a chacina de 28 de outubro, no Rio de Janeiro, que terminou com 121 mortos e desencadeou forte debate nacional sobre o uso da força e a atuação das polícias.
O encontro ocorre em meio ao desgaste entre o Planalto e a Câmara dos Deputados provocado pela decisão do presidente da Casa, Hugo Motta, de escolher o deputado Guilherme Derrite, secretário de Segurança Pública licenciado de São Paulo, como relator do projeto de lei Antifacção — iniciativa elaborada pelo Executivo. Os pareceres apresentados por Derrite foram duramente criticados por integrantes do governo, sobretudo após o relator propor mudanças na Lei Antiterrorismo e na autoridade da Polícia Federal.
Ministros ex-governadores formam núcleo consultivo
Participam da reunião nomes com experiência direta na gestão da segurança pública em seus estados. Estarão presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo; Rui Costa, da Casa Civil, ex-governador da Bahia; Renan Filho, dos Transportes, ex-governador de Alagoas; Camilo Santana, da Educação, ex-governador do Ceará; Waldez Goés, do Desenvolvimento Regional, ex-governador do Amapá; e Wellington Dias, do Desenvolvimento Social, ex-governador do Piauí.
A expectativa é que esse núcleo, formado por gestores com histórico em áreas sensíveis como policiamento, prevenção e integração federativa, ajude a formular respostas coordenadas ao avanço do crime organizado.
Ações e articulações no governo
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, também participa do encontro. Ele é responsável por conduzir a política de segurança no âmbito federal e tem intensificado ações de inteligência e cooperação interestadual. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vem mobilizando a Receita Federal e outros órgãos para atuar contra o financiamento das facções criminosas. Já a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tenta reorganizar a articulação política no Congresso para assegurar apoio às propostas do governo na área.
O ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, participou de uma reunião semelhante na semana passada, em Belém, durante a agenda de Lula na COP30. Diagnosticado com Covid, ele não deve comparecer desta vez. Foi Sidônio quem sugeriu consolidar todas as ações do governo no setor sob um único guarda-chuva e aventou a possibilidade de criação de centros integrados de segurança.
Pressão da opinião pública
O movimento do Planalto ocorre em um momento de estagnação na popularidade presidencial, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira. O levantamento mostra que a aprovação do governo está em 47%, enquanto a desaprovação chegou a 50%. O cenário é de estabilidade em relação a outubro, mas representa um freio no movimento de recuperação registrado desde julho.
Para os pesquisadores, a interrupção da melhora está associada diretamente à operação de 28 de outubro e ao aumento do temor da população com a violência. Em apenas um mês, a proporção de brasileiros que veem a segurança pública como principal preocupação subiu de 30% para 38%. A economia aparece distante em segundo lugar, com 15%.
Desafio crescente
Com a escalada da violência nas grandes cidades e o acirramento do debate sobre o PL Antifacção, o governo tenta construir uma resposta que envolva mais coordenação entre estados, investimentos em inteligência, revisão de protocolos operacionais e maior presença federal nas ações de combate às facções.
A reunião desta quinta-feira deve definir os primeiros passos dessa estratégia. Interlocutores no Planalto afirmam que Lula quer transformar o tema em prioridade do governo e promover uma abordagem que vá além das operações policiais letais, incluindo medidas sociais, prevenção e atuação integrada.






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