Lula e líderes do Canadá, UE e Quênia defendem reforma do sistema multilateral

Manifesto publicado antes da Assembleia-Geral da ONU pede instituições internacionais mais representativas, eficazes e confiáveis diante do aumento das crises globais

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, ao lado dos líderes do Canadá, da União Europeia (UE) e do Quênia, um manifesto em defesa do multilateralismo e da ampliação da cooperação entre países. O documento foi publicado neste domingo (20) pelo jornal Financial Times, dois dias antes do início dos discursos de chefes de Estado na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York.

Batizada de “Partners for Multilateralism” (Parceiros pelo Multilateralismo), a iniciativa reúne Lula, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e o presidente do Quênia, William Ruto.

Os quatro signatários afirmam que o cenário internacional vive um paradoxo: enquanto países e economias estão cada vez mais interdependentes, a ordem mundial se tornou mais fragmentada e polarizada. Segundo o manifesto, esse contexto exige mudanças nas instituições internacionais criadas no período posterior à Segunda Guerra Mundial.

Manifesto aponta aumento de conflitos

O documento cita dados sobre a situação internacional para justificar a necessidade de maior cooperação. Segundo os líderes, 2025 registrou 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, o maior número desde 1946. O manifesto também afirma que os gastos militares globais chegaram a US$ 2,9 trilhões.

Os signatários dizem ainda que o direito internacional está sob pressão e que relações econômicas passaram a ser utilizadas como instrumentos de pressão e coerção. O texto também aponta o crescimento das desigualdades dentro dos países e entre diferentes nações.

A iniciativa defende instituições multilaterais mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis. Entre as propostas está o fortalecimento da cooperação entre organizações regionais e a ampliação de ações relacionadas à paz e à segurança, à governança econômica global, à inteligência artificial, às mudanças climáticas e à segurança sanitária.

Cooperação é apresentada como necessidade

No manifesto, Lula e os demais líderes afirmam que a cooperação internacional não deve ser tratada apenas como uma questão de idealismo. Para eles, problemas que ultrapassam fronteiras exigem respostas conjuntas, já que não podem ser enfrentados isoladamente por um único país.

Entre os exemplos citados estão mudanças climáticas, pandemias, conflitos armados, choques financeiros e interrupções em rotas marítimas estratégicas. O grupo afirma que esses desafios mostram a necessidade de mecanismos internacionais capazes de coordenar respostas entre diferentes governos.

O texto também esclarece que a iniciativa não tem como objetivo substituir o sistema multilateral existente, mas renová-lo. Os quatro líderes defendem a manutenção de princípios estabelecidos pela Carta das Nações Unidas, como a igualdade soberana entre os países, a integridade territorial e a solução pacífica de controvérsias.

Líderes defendem princípios da ONU

O manifesto também reafirma a oposição à ameaça ou ao uso da força nas relações internacionais e menciona a importância do direito humanitário internacional, dos direitos humanos e das liberdades fundamentais.

A publicação ocorre em um período de pressão sobre as instituições multilaterais. A própria ONU enfrenta dificuldades orçamentárias, enquanto seu Conselho de Segurança é alvo de críticas por bloqueios relacionados às decisões das principais potências.

Os signatários relacionam esse cenário ao aumento do número de conflitos e ao questionamento do multilateralismo por parte de diferentes lideranças mundiais. Para o grupo, a atual conjuntura reforça a necessidade de atualizar as instituições internacionais para que possam responder aos desafios contemporâneos.

A manifestação de Lula e dos líderes do Canadá, da UE e do Quênia antecede a abertura dos discursos de chefes de Estado na Assembleia-Geral da ONU, marcada para terça-feira (22).

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