Partido da Esquerda vence em Berlim com 25,3% e Merz decide permanecer no cargo

Vitória do Die Linke abre caminho para Elif Eralp assumir a prefeitura da capital alemã; CDU de Friedrich Merz ficou com 19% dos votos

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O Partido da Esquerda (Die Linke) venceu as eleições estaduais de Berlim realizadas neste domingo (20), com 25,3% dos votos. A CDU, legenda do chanceler Friedrich Merz, ficou em segundo lugar, com 19%, enquanto a AfD alcançou 16%.

O resultado praticamente dobrou a votação anterior do Die Linke e pode abrir caminho para Elif Eralp se tornar a primeira prefeita de Berlim pelo partido. A apuração ainda estava em andamento no fim da noite, mas as projeções já indicavam a saída dos democratas-cristãos da prefeitura.

Merz classificou o desempenho da CDU como um “desastre”, mas afirmou que permanecerá no cargo de chanceler e pretende manter os planos da coalizão para aprovar reformas na economia, nos tributos e na assistência social.

Die Linke busca formar coalizão em Berlim

O Die Linke superou também o Partido Social-Democrata (SPD), que obteve 12,1% dos votos. Tanto o SPD quanto os Verdes sinalizaram abertura para uma possível aliança com a legenda vencedora, cenário que pode definir a composição do governo local.

A candidata Elif Eralp, de 45 anos, é filha de pais turcos de esquerda que deixaram a Turquia após o golpe de Estado de 1980. Durante a comemoração eleitoral em Berlim, ela afirmou que o resultado permitiria ao partido e aos eleitores iniciar mudanças na cidade.

Se confirmada, a vitória representará a primeira vez que o Die Linke comandará a capital alemã. A legenda surgiu do antigo partido comunista da Alemanha Oriental e chegou ao resultado 36 anos após a reunificação da Alemanha.

Moradia e aluguéis foram tema central da campanha

A questão habitacional esteve no centro da campanha de Eralp. A candidata afirmou que o aumento da pressão sobre o mercado de aluguel é o principal problema social de Berlim e defendeu a nacionalização de associações privadas de habitação.

A proposta retoma um plebiscito realizado em 2021, quando 58% dos votantes apoiaram a nacionalização. O plano envolveria cerca de 220 mil imóveis, que passariam para o controle estatal, mas ainda não há definição sobre a implementação da medida.

O secretário-geral do SPD, Tim Kluessendorf, estimou o custo da iniciativa em aproximadamente 20 bilhões de euros. Já uma pesquisa da Infratest Dimap apontou que 37% dos entrevistados apoiavam a proposta.

Verdes colocam condição para possível aliança

Uma eventual coalizão entre o Die Linke e os Verdes também enfrenta uma condição apresentada pela legenda ambientalista. Felix Banaszak, líder do Partido Verde, afirmou que a parceria dependeria de um compromisso claro contra o antissemitismo.

A declaração ocorreu em meio a acusações direcionadas a setores do Die Linke em Berlim. A legenda de esquerda, segundo a matéria, não havia respondido imediatamente à exigência apresentada pelos Verdes.

O Die Linke rejeita acusações de antissemitismo sistemático e afirma ser contrário a diferentes formas de hostilidade contra grupos, incluindo antissemitismo, racismo e sexismo.

Merz mantém planos de reformas no governo alemão

Com 16 meses no cargo, Merz declarou que continuará à frente do governo federal alemão apesar do resultado eleitoral negativo para sua legenda em Berlim. O chanceler disse que pretende manter o pacote de reformas planejado pela coalizão.

Segundo Merz, as mudanças são necessárias para fazer o país avançar. Antes da eleição, havia especulações sobre uma possível substituição do chanceler durante o mandato, mas líderes de oito estados alemães haviam declarado apoio à sua permanência.

AfD amplia votação em outro estado alemão

No mesmo domingo, a AfD ficou em primeiro lugar nas eleições de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste da Alemanha. Projeções das emissoras públicas ZDF e ARD indicaram 38% para a legenda, contra 36% do SPD.

Apesar da liderança, a formação de um governo estadual pela AfD é considerada improvável no cenário descrito pela matéria, já que os demais partidos não aceitam alianças com a sigla.

Na eleição de Berlim, a AfD também registrou sua maior votação na capital. O resultado ocorre em um contexto de atenção do eleitorado à situação econômica da Alemanha e ao custo dos aluguéis.

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