A campanha do presidente Lula (PT) prepara uma ofensiva contra Flávio Bolsonaro (PL) nas primeiras inserções da propaganda eleitoral. Os comerciais associam o senador a episódios envolvendo a antiga investigação sobre rachadinha, ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ex-PM Adriano da Nóbrega, suspeito de liderar uma milícia no Rio de Janeiro.
Em uma das peças, a campanha petista apresenta o que chama de “currículo” de Flávio e o classifica como “o pior dos Bolsonaros”. A estratégia é elevar a rejeição ao candidato do PL e explorar episódios controversos de sua trajetória política.
A propaganda, segundo informações da Folha de São Paulo, também faz referência à investigação sobre um suposto desvio de salários de funcionários do gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual no Rio. O Ministério Público chegou a apresentar denúncia, mas a acusação foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça em 2020.
Campanha petista explora segurança
Outro ponto utilizado pelo PT é a relação atribuída a Flávio com Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal. A propaganda também cita uma homenagem proposta pelo senador a Adriano da Nóbrega, morto em 2020 e apontado como liderança de uma milícia do Rio.
Em outra inserção, a campanha de Lula menciona o “combate firme às facções e ao crime organizado”. A abordagem busca responder às críticas sobre a atuação do governo federal na área da segurança pública e colocar o tema no centro da disputa eleitoral.
Lula aparece diretamente apenas em um dos primeiros spots. Na gravação, o presidente afirma que estão em jogo “o futuro do Brasil e da sua família”. A peça também destaca a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 e termina com o slogan “O Brasil está pronto para mais”.
Flávio aposta em família e mulheres
Do outro lado, Flávio Bolsonaro utiliza as primeiras inserções para construir uma imagem pessoal e familiar. O senador, ainda informa a Folha, se apresenta como advogado e empresário, destaca ter 45 anos e procura estabelecer uma contraposição geracional em relação a Lula, que tem 80 anos.
Uma das peças é dedicada especialmente às mulheres, segmento em que o candidato enfrenta maior resistência eleitoral. Flávio afirma que, em sua casa, quem manda são a esposa e as filhas, e defende que o país só poderá avançar se as mulheres também tiverem mais força.
Em outro trecho, o candidato diz ser “casado com a Fernanda, pai da Luísa e da Carol”. A estratégia procura aproximá-lo do eleitorado feminino por meio de referências à família e à vida pessoal.
Segurança e economia entram na disputa
Flávio também concentra parte da propaganda nos problemas de segurança pública e na situação econômica dos brasileiros. Nos spots, afirma que a população está endividada, “no sufoco” e insatisfeita com o cenário atual.
O candidato do PL também critica a violência e afirma que brasileiros estariam vivendo com medo diante da atuação de facções criminosas. Em uma das peças, diz que o povo estaria “preso dentro de casa” e associa a insegurança ao endividamento das famílias.
As inserções obrigatórias dos candidatos começam a ser veiculadas nesta sexta-feira (28). Já no sábado (29), serão exibidos os primeiros blocos da propaganda eleitoral dos candidatos à Presidência.
A largada da propaganda marca o início de uma disputa que deverá combinar ataques entre os principais adversários, apresentação de propostas e estratégias específicas para conquistar segmentos do eleitorado. No caso de Lula, a prioridade inicial é desgastar a imagem de Flávio; já o candidato do PL aposta na família, na segurança e na insatisfação econômica para apresentar sua candidatura.
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