A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (16) mostra que 49% dos entrevistados consideram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desonesto. O percentual é de 42% quando a pergunta é feita sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do petista na disputa pela Presidência da República.
A diferença é de sete pontos percentuais. A pesquisa, contratada pelo jornal O GLOBO e pela TV Globo, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Na avaliação sobre honestidade, Lula aparece com 28% de menções positivas, enquanto Flávio Bolsonaro registra 23%. Os demais candidatos apresentados aos entrevistados — Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (União Brasil), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) — tiveram índices superiores a 77% de pessoas que disseram não conhecê-los o suficiente para avaliar.
Investigações envolvendo os dois candidatos
O levantamento foi realizado enquanto existem investigações envolvendo pessoas ligadas aos dois principais nomes citados na pesquisa.
No caso de Lula, um dos fatores mencionados no contexto da pesquisa é a investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Ele é alvo de apuração da Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência no governo federal, em inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo as investigações, Lulinha teria atuado para aproximar do governo a lobista Roberta Luchsinger, que buscava prospectar negócios no Executivo federal. Ela tinha proximidade com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, preso pela Polícia Federal sob acusação de desvio de recursos de aposentadorias e pensões.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, é investigado em um inquérito no STF relacionado ao financiamento do filme “Dark horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Flávio nega irregularidades e afirma que os recursos utilizados no filme tiveram origem privada.
Diferenças entre regiões e grupos de eleitores
A percepção de que Lula é desonesto apresenta diferenças conforme o perfil dos entrevistados. No Sudeste, 61% fizeram essa avaliação, enquanto no Nordeste o índice foi de 32%, o menor entre as regiões mencionadas no levantamento.
Por faixa etária, 55% dos entrevistados de 16 a 34 anos consideram Lula desonesto. O percentual é de 52% entre pessoas de 35 a 59 anos e cai para 40% entre os idosos.
A avaliação também varia conforme escolaridade e renda. Entre eleitores com ensino fundamental, 38% consideram Lula desonesto. O percentual sobe para 59% entre aqueles com ensino médio completo e chega a 58% entre os que têm ensino superior.
Na divisão por renda, 38% dos entrevistados que recebem até dois salários mínimos fazem essa avaliação. Entre aqueles com renda de dois a cinco salários mínimos, o índice é de 54%, mesmo percentual registrado entre os que recebem mais de cinco salários mínimos.
Entre os grupos religiosos, 59% dos evangélicos consideram Lula desonesto, ante 45% dos católicos.
Percepção sobre Flávio Bolsonaro
No caso de Flávio Bolsonaro, a maior parcela de entrevistados que o considera desonesto está no Nordeste, com 55%. O menor percentual aparece entre moradores das regiões Norte e Centro-Oeste, com 32%.
No recorte religioso, 45% dos católicos consideram Flávio desonesto, enquanto entre os evangélicos o índice é de 33%.
Entre os eleitores que se declaram independentes, 55% classificam Lula como desonesto. Para Flávio Bolsonaro, o percentual nesse grupo é de 41%.
Como a pesquisa foi realizada
A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de setembro de 2026. O levantamento tem índice de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-03607/2026.







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