O Rio de Janeiro é a cidade, entre os 15 municípios mais populosos do Brasil, com o maior número de postos de combustível classificados com nota zero pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Dos 634 estabelecimentos monitorados na capital fluminense, 57 receberam a menor classificação da agência, o equivalente a 9% do total.
O número supera o registrado em São Paulo, que tem 40 postos com nota zero. A capital paulista possui mais que o dobro de estabelecimentos monitorados pela ANP em comparação com o Rio de Janeiro.
Os dados foram reunidos a partir do aplicativo ANP Com Vc-Postos, lançado pela agência em julho. A ferramenta concentra informações sobre fiscalizações, qualidade dos combustíveis e movimentação declarada pelos estabelecimentos.
Aplicativo permite consultar postos próximos
O ANP Com Vc-Postos utiliza georreferenciamento para mostrar informações sobre estabelecimentos localizados nas proximidades do usuário. A consulta pode ser feita pelo localizador do celular ou computador ou pela indicação de uma cidade.
Entre os dados disponíveis estão os resultados das fiscalizações realizadas pela ANP e as análises do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC), que verifica amostras de gasolina, etanol e óleo diesel comercializados no país.
Segundo a agência, as informações já eram públicas, mas estavam distribuídas em diferentes páginas e painéis do site institucional. Com o novo aplicativo, os dados passaram a ser apresentados em uma única ferramenta, com notas atribuídas aos estabelecimentos.
Consumidor também pode fazer denúncias
Além da classificação, o aplicativo oferece um canal para que consumidores comuniquem possíveis irregularidades identificadas nos postos. Também é possível consultar informações sobre a vinculação do estabelecimento a uma rede de distribuição e se o posto opera como bandeira branca.
A ferramenta informa ainda se um estabelecimento ligado a determinada distribuidora recebe exclusivamente combustível daquela empresa ou se trabalha com mais de um fornecedor.
De acordo com a ANP, a proposta é ampliar o acesso às informações e permitir que o consumidor tenha mais elementos para escolher onde abastecer, além de facilitar o encaminhamento de denúncias relacionadas aos estabelecimentos.
ANP realizou 16 mil ações de fiscalização em 2025
A agência informou que realiza fiscalizações diariamente em diferentes regiões do país. Em 2025, foram registradas 16 mil ações de fiscalização, com participação de núcleos regionais e parcerias com órgãos municipais, estaduais e federais.
Entre as instituições que podem atuar em conjunto com a ANP estão Procons, Ministérios Públicos e órgãos de metrologia. A agência também mantém acordos de cooperação para ampliar as ações de fiscalização.
O Sindicom, entidade que reúne as principais distribuidoras de combustíveis, como Vibra, Ipiranga e Raízen, avaliou positivamente a criação do aplicativo. A entidade destacou a possibilidade de o consumidor ter participação mais ativa na escolha dos estabelecimentos.
Rio também aparece em dados sobre irregularidades
Segundo o Sindicom, a quantidade de postos mal avaliados pela ANP no Rio ocorre em um cenário que também apresenta problemas relacionados à regularidade das informações sobre comercialização de combustíveis.
Dados da Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro citados pela entidade apontam que 95,2% dos postos fluminenses estão em situação irregular por não informarem ou informarem de forma incompleta dados sobre compra e venda de combustíveis.
Para Augusto Salomon, presidente-executivo do Sindicom, a classificação disponibilizada pela ANP pode auxiliar os órgãos responsáveis a identificar situações que demandem atenção.
Entenda como a ANP calcula as notas
As notas atribuídas aos postos variam de zero a cinco. O cálculo considera a quantidade de autos de infração recebidos por cada estabelecimento e leva em conta a data em que as ocorrências foram registradas.
Entre as infrações consideradas estão aquelas relacionadas à qualidade do combustível. Nesse caso, análises de amostras podem apontar que o produto não atende às especificações estabelecidas, indicando possível adulteração.
Também são consideradas infrações relacionadas à quantidade. Elas ocorrem quando a quantidade efetivamente entregue ao consumidor é inferior à indicada na bomba, situação que pode indicar fraude na medição.
O cálculo considera um período de cinco anos. As infrações mais recentes têm peso maior na composição da nota final.







Deixe um comentário