O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (27) que as questões políticas envolvendo as negociações com os Estados Unidos serão tratadas diretamente entre ele e o presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo Lula, o objetivo é separar as discussões econômicas, que serão conduzidas por ministros, das conversas sobre sanções impostas por Washington a autoridades brasileiras.
“Inclusive a questão da legislação da punição aos nossos ministros é uma questão política que vai ser resolvida entre o Trump e eu”, declarou Lula, ao ser questionado sobre o alinhamento das equipes de negociação.
O presidente destacou que as tratativas técnicas sobre tarifas comerciais impostas aos produtos brasileiros serão conduzidas em alto nível por uma equipe liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).
Missão diplomática a Washington
Na próxima semana, a delegação chefiada por Alckmin, Haddad e Vieira viajará a Washington para dar continuidade às negociações sobre o chamado “tarifaço” — a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. A equipe também discutirá mecanismos de cooperação econômica entre os dois países, especialmente nos setores de energia e agronegócio.
Lula enfatizou que a missão será exclusivamente técnica. “As questões políticas serão colocadas na presença dos dois presidentes da República. Não na mesa de negociação sobre negócios. Quem vai discutir política nesse negócio do Brasil é o presidente Trump e o presidente Lula. Eles [a equipe de negociadores] vão negociar as taxações comerciais que foram impostas a nós”, reforçou o petista.
Sanções a autoridades brasileiras entram na pauta presidencial
Entre os temas classificados como políticos, está a aplicação da Lei Magnitsky — legislação estadunidense usada para punir autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos ou corrupção. O governo de Donald Trump sancionou ministros brasileiros após o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
As sanções atingiram o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, Viviane de Moraes. Outros ministros da Corte, além do advogado-geral da União, Jorge Messias, e de autoridades ligadas à área da saúde, também tiveram os vistos estadunidenses revogados.
Trump, à época, chegou a classificar Bolsonaro como vítima de uma “caça às bruxas” e criticou as decisões da Justiça brasileira. Lula pretende discutir pessoalmente o tema com o presidente dos EUA, em busca de uma solução diplomática que evite novos atritos entre os dois países.
Primeiro encontro oficial entre Lula e Trump
A reunião entre Lula e Trump aconteceu neste domingo (26), em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), da qual ambos participaram como convidados. Foi o primeiro encontro oficial entre os dois líderes.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o diálogo foi produtivo e marcou um avanço nas tratativas comerciais. “O presidente Lula voltou a pedir a suspensão das tarifas durante o período de negociação, e houve receptividade do lado americano”, afirmou o chanceler.
Os dois presidentes já haviam conversado brevemente por telefone e se encontrado de forma informal em setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Próximos passos nas negociações
Com a aproximação política, o governo brasileiro aposta em um acordo que reduza ou suspenda as tarifas impostas aos produtos nacionais e restabeleça o fluxo comercial entre os dois países.
As equipes técnicas do Brasil e dos Estados Unidos devem se reunir nas próximas semanas para definir um cronograma de encontros presenciais e virtuais. Lula e Trump, por sua vez, devem voltar a conversar ainda este ano, desta vez em Washington.






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