Lula diz que Rubio ligou para Mauro Vieira e celebra avanço nas negociações com os EUA: ‘O Brasil não quer brigar’

Contato entre Secretário de Estado dos EUA e o chanceler brasileiro marca avanço no diálogo entre os países após telefonema entre Lula e Trump

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ligou para o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na quarta-feira (8), em um gesto que inaugura uma nova fase de diálogo diplomático entre Brasil e EUA. A conversa faz parte do processo de negociação sobre o tarifaço imposto por Washington a produtos brasileiros e ocorre dois dias depois do telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump.

O contato direto entre Rubio e Vieira foi confirmado por Lula durante entrevista à rádio Piatã nesta quinta-feira (9). O presidente disse que o telefonema simboliza um avanço nas tratativas e um esforço para reaproximar os dois países.

“Agora começa um outro momento. Ainda ontem o secretário de Estado Marco Rubio ligou para o meu ministro Mauro Vieira, talvez comece a ter conversa a partir de agora. Vamos ver se a gente consegue se acertar. O Brasil não quer briga com os EUA”, afirmou o presidente.

Primeiras conversas após o telefonema entre Lula e Trump

O secretário de Estado foi designado por Trump para conduzir as negociações com o chanceler Mauro Vieira, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A escolha de Rubio, político de perfil conservador e conhecido por posições duras em temas de política externa, gerou reações em Brasília e entre aliados da oposição estadunidense.

Rubio já havia defendido publicamente as tarifas sobre produtos brasileiros e apoiado sanções a autoridades do país, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar disso, fontes diplomáticas avaliam que sua nomeação sinaliza a intenção do governo Trump de dar peso político à negociação e buscar uma saída negociada para a crise comercial.

Lula relata tom cordial e diz ter se surpreendido com Trump

O telefonema entre Lula e Trump, realizado na segunda-feira (7), foi o primeiro contato direto entre os dois presidentes desde a eleição do republicano. Segundo o brasileiro, a conversa foi “cordial e surpreendentemente respeitosa”.

“Ele me ligou da forma mais gentil que um ser humano pode lidar com o outro”, disse Lula. O presidente contou que pediu a Trump a retirada da sobretaxa sobre produtos brasileiros e a revisão das sanções impostas a autoridades brasileiras.

Durante o diálogo, Lula disse ter proposto uma relação mais informal e cooperativa. “Eu disse: ‘presidente, precisamos nos tratar sem liturgia, você me chama de você, eu chamo você de você. Somos dois senhores de 80 anos, presidimos as duas maiores democracias do Ocidente e precisamos passar para o resto do mundo cordialidade, harmonia e não discórdia e briga’.”

Negociações focam em revisão de tarifas e sanções

Desde 6 de agosto, produtos brasileiros enfrentam uma taxa de 50% para entrar no mercado estadunidense. Na conversa com Trump, Lula solicitou a retirada de 40% dessa taxa, mantendo os 10% restantes, que também se aplicam a outros países.

O presidente brasileiro também pediu o fim das sanções contra autoridades brasileiras, como ministros do STF, impostas por decreto assinado por Trump em 30 de julho. O texto do decreto foi interpretado por analistas internacionais como uma tentativa de pressionar o Supremo no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe.

Próximos passos e encontro possível na Malásia

Após o telefonema e a designação de Rubio para a condução do diálogo, as equipes de ambos os governos começaram a discutir uma reunião presencial. Lula propôs que o encontro entre as delegações ocorra na Malásia, no fim do mês, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).

Com o canal diplomático restabelecido, o governo brasileiro vê no gesto de Rubio e na postura mais conciliadora de Trump uma oportunidade de amenizar tensões e reconstruir pontes políticas e comerciais com os Estados Unidos.

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