O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7), marcou um “passo importante” para fortalecer a relação entre os dois países. O encontro na Casa Branca durou quase três horas e abordou temas econômicos, segurança internacional e combate ao crime organizado, mas deixou de fora assuntos considerados sensíveis, como o PIX e a possível classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA.
Após a reunião, Lula disse que não houve “assuntos proibidos” durante a conversa com Trump e destacou o clima positivo do encontro.
“Saio satisfeito da reunião. Não tenho assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, afirmou o presidente brasileiro.
PIX e facções criminosas ficaram fora da conversa
Apesar da expectativa em torno do tema, Lula afirmou que o PIX, atualmente alvo de investigação comercial nos Estados Unidos, não foi discutido diretamente com Trump.
O presidente também confirmou que não houve debate sobre a possível classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
“Não foi discutido isso”, declarou.
Mesmo sem abordar o tema diretamente, Lula afirmou que entregou propostas do governo brasileiro para ampliar o combate ao crime organizado e ao narcotráfico.
O presidente destacou a criação de uma base integrada em Manaus para combater tráfico de drogas e armas nas fronteiras da América do Sul.
“Nós criamos uma base na cidade de Manaus para combater o crime organizado, o tráfico de armas e de drogas na fronteira brasileira, com a participação de delegados da polícia de todos os países da América do Sul. Se os EUA quiserem compartilhar e participar conosco, estarão convidados”, afirmou.
Lula defende alternativa econômica para combate às drogas
Durante a entrevista, Lula afirmou que apenas ações de repressão não resolvem o problema do narcotráfico na América Latina. Segundo ele, é necessário criar alternativas econômicas para regiões produtoras de drogas.
“Como você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa de produto para que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?”, questionou.
O governo brasileiro tenta evitar que facções como PCC e CV sejam classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Integrantes do Planalto avaliam que a medida poderia abrir espaço jurídico para ações americanas em território brasileiro.
Relação entre Brasil e EUA
Lula afirmou que Brasil e Estados Unidos, por serem “as duas maiores democracias do hemisfério”, podem fortalecer uma relação estratégica em meio às tensões comerciais globais.
O presidente também cobrou maior interesse econômico dos Estados Unidos na América Latina e criticou o afastamento americano da região nas últimas décadas.
“É importante que os EUA voltem a ter interesse nas coisas do Brasil”, declarou.
Segundo Lula, os EUA passaram a olhar a América Latina principalmente pela ótica do combate ao narcotráfico, enquanto reduziram investimentos e participação em projetos de infraestrutura.
“Muitas vezes fazemos licitações internacionais para rodovias ou ferrovias e os EUA não participam. Quem participa são os chineses”, disse.
Mudança no protocolo e reunião fechada
Antes do encontro, Lula pediu que a conversa com Trump acontecesse a portas fechadas, sem entrevista coletiva prévia.
Segundo o presidente brasileiro, não fazia sentido falar com a imprensa antes das negociações oficiais.
“Eu venho para discutir assunto. Como é que você vai fazer uma entrevista coletiva antes de você discutir?”, afirmou.
Lula também minimizou a ausência de imagens e cerimônias públicas.
“Nem eu, nem o presidente Trump precisamos de fotografia. E não precisamos inventar nada para a imprensa”, disse.
A mudança no protocolo ocorreu após desconfortos registrados em um encontro anterior entre os dois líderes, realizado na Malásia.






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