Lula diz duvidar de lobby de Lulinha com ministros e descarta proteção

Presidente afirmou que duvida que o filho tenha procurado ministros para tratar de negócios, mas disse que ele deverá responder caso sejam comprovadas irregularidades

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (1º), durante entrevista ao Flow Podcast, que duvida que seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, tenha procurado ministros do governo para fazer lobby. Ao mesmo tempo, disse que o filho deverá responder à sociedade caso as investigações apontem irregularidades.

“Eu duvido que meu filho tenha feito lobby com qualquer ministro meu. Duvido que meu filho tenha conversado com alguém a respeito disso”, afirmou Lula durante a entrevista.

As declarações foram dadas após questionamentos sobre investigações da Polícia Federal envolvendo Lulinha e pessoas próximas a ele. A apuração investiga suspeitas de tráfico de influência, lobby ilegal e corrupção, além de possíveis contatos com integrantes do governo federal.

‘Terá que prestar contas’

Apesar de manifestar confiança no filho, Lula afirmou que não pretende usar a estrutura do governo para protegê-lo de eventuais investigações.

“Ele não terá proteção da Polícia Federal, a meu pedido”, declarou.

O presidente acrescentou que dará solidariedade pessoal ao filho, mas ressaltou que isso não significa isenção de responsabilidade caso alguma irregularidade seja comprovada.

“Ele sabe que vai ter da minha parte solidariedade, mas ele terá que prestar contas à sociedade. Justo. Ele e qualquer um”, afirmou.

As declarações colocaram o tema das investigações envolvendo Lulinha entre os assuntos abordados pelo presidente durante sua participação no Flow, realizada na reta final da campanha presidencial.

O que a PF investiga

A Polícia Federal investiga se Lulinha e pessoas próximas teriam utilizado contatos dentro do governo federal para intermediar interesses privados, incluindo negócios relacionados aos setores de saúde e tecnologia.

Entre os elementos sob análise estão mensagens envolvendo a empresária Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete da Presidência.

A investigação também apura possíveis tratativas relacionadas à venda de canabidiol ao Sistema Único de Saúde (SUS) e a uma disputa comercial envolvendo a Unigel e a Petrobras.

Ao ser questionado sobre a relação do filho com Roberta Luchsinger, apontada pela investigação como lobista, Lula afirmou não ter mantido contato com ela. O presidente também argumentou que a existência de fotografias não seria suficiente, por si só, para demonstrar uma relação de influência.

O Ministério de Minas e Energia nega que o ministro Alexandre Silveira tenha sido procurado para interferir no caso. A defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro também nega a existência de lobby ilegal.

Lula também comenta caso do INSS

Durante a entrevista, Lula também foi questionado sobre a informação de que Lulinha teria recebido R$ 300 mil mensais em um suposto esquema relacionado a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

A defesa do filho do presidente nega a acusação.

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