O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu nesta quinta-feira (3) a aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário na disputa presidencial, a responsabilidade pela PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 não ter avançado no Senado nesta semana.
A proposta foi aprovada na quarta-feira (2) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas não chegou ao plenário. Cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidir quando a matéria será incluída na pauta.
Na semana passada, Alcolumbre almoçou com Lula e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir a agenda de votações. Depois do encontro, confirmou que a PEC seria analisada pela CCJ, mas não assegurou que haveria votação no plenário.
Ainda assim, integrantes do entorno de Lula trabalhavam com a possibilidade de levar a proposta adiante antes do primeiro turno das eleições.
Lula diz que votação mostrou “quem é quem”
O presidente elevou o tom contra os adversários nesta quinta-feira ao comentar o andamento da PEC nas redes sociais. Segundo Lula, o episódio mostrou “quem é quem no Congresso Nacional”.
“Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6×1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta”, escreveu o petista.
A referência foi a Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e um dos senadores que se posicionaram contra a proposta.
Lula também procurou associar a aprovação da mudança à ampliação do tempo de descanso dos trabalhadores.
“É importante que o Brasil saiba quem está trabalhando para avançar com essa mudança e quem está tentando impedir uma conquista que pode garantir um dia a mais de descanso sem redução de salário”, disse Lula.
Em outra passagem, o presidente reforçou a defesa da PEC e dirigiu sua mensagem aos trabalhadores submetidos à jornada de seis dias de trabalho por um de descanso.
“Os brasileiros e brasileiras que trabalham seis dias por semana e, muitas vezes, dedicam o sétimo aos afazeres domésticos, já cansaram de esperar. Estamos com vocês. Seguimos mobilizados. Pelo fim da escala 6×1!”, escreveu Lula na publicação nas redes.
Ontem o Brasil testemunhou, mais uma vez, quem é quem no Congresso Nacional. Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6×1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço…
— Lula (@LulaOficial) September 3, 2026
Fim da escala vira tema da disputa presidencial
O Palácio do Planalto considera o fim da escala 6×1 uma pauta de forte apelo popular. Nas últimas semanas, Lula intensificou a defesa da mudança tanto em manifestações públicas quanto na propaganda eleitoral de rádio e televisão.
Integrantes da campanha pela reeleição avaliam que o assunto também pode ser utilizado para estabelecer um contraponto com Flávio Bolsonaro, diante da resistência do senador e de aliados ao avanço da matéria.
Na publicação desta quinta-feira, entretanto, Lula não mencionou nominalmente Flávio, Rogério Marinho ou Davi Alcolumbre. Em declarações anteriores, o presidente vinha cobrando diretamente do comando do Senado e dos parlamentares a aprovação da proposta.
A estratégia política dos aliados de Lula é manter a escala 6×1 no centro do debate eleitoral por considerá-la uma questão diretamente relacionada ao cotidiano dos trabalhadores.
Governo também não tinha votos suficientes
Apesar das críticas à oposição, a própria liderança governista reconheceu que não havia garantia de votos suficientes para aprovar a mudança constitucional.
Na noite de terça-feira (1º), o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), reuniu-se com Alcolumbre na tentativa de destravar a votação. O esforço não foi suficiente para assegurar que a PEC chegasse ao plenário.
Para uma proposta de emenda à Constituição ser aprovada no Senado, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos.
Segundo Randolfe, Alcolumbre questionou os governistas sobre a existência de segurança em relação aos votos necessários antes de pautar a matéria. Após consultar o mapa de votação, o líder reconheceu que o governo não tinha como garantir os 49 votos.
A expectativa inicial dos governistas era concluir a votação nesta semana, que, a princípio, seria a última com sessões deliberativas no Congresso antes do primeiro turno das eleições. Com a PEC fora do plenário, o tema tende a permanecer no centro da disputa política durante a reta final da campanha.







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