O presidente Luiz Inácio Lula da Silva endureceu o discurso contra os Estados Unidos nesta quarta-feira (3) ao reagir ao novo pacote de tarifas anunciado pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros. Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula afirmou que o Brasil não aceitará o tratamento dispensado por Washington e disparou críticas ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, a quem chamou de “latino-americano frustrado”.
“Nós somos muito grandes, temos muita história. E nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deu ao Brasil nesta semana”, afirmou o presidente diante dos ministros. Lula também ressaltou que o governo brasileiro manteve negociações abertas com os americanos e negou qualquer resistência ao diálogo. “Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos”, acrescentou.
Críticas a Rubio marcam reação do Planalto
O momento mais contundente do pronunciamento ocorreu quando Lula direcionou críticas ao chefe da diplomacia americana. Ao comentar a atuação de Marco Rubio nas relações entre os dois países, o presidente afirmou: “Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil, é um latino-americano frustrado”.
A declaração ocorre após Rubio afirmar, na véspera, que o Brasil não atua como um país amigável aos interesses dos Estados Unidos. Integrante da ala mais conservadora do governo Trump, o secretário de Estado é considerado uma das principais vozes do movimento Make America Great Again (Maga) dentro da política externa americana.
Novo tarifaço surpreendeu governo brasileiro
A reação de Lula foi motivada pela ampliação das medidas comerciais adotadas por Washington. Após concluir uma investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) avançou na proposta de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Além disso, o órgão incluiu o Brasil em uma análise envolvendo supostos casos de trabalho forçado em dezenas de países e na União Europeia. Nesse caso, a tarifa prevista é de 12,5%.
Segundo Lula, a decisão causou surpresa porque as negociações comerciais ainda estavam em andamento. O presidente afirmou que tomou conhecimento das medidas pelas redes sociais, sem receber comunicação oficial prévia do governo americano.
Carta a Trump e defesa da soberania brasileira
Lula anunciou que pretende encaminhar uma carta diretamente a Donald Trump para tratar do impasse. O presidente ressaltou que deseja preservar a relação bilateral, mas deixou claro que o Brasil responderá às medidas consideradas injustas.
Nos últimos meses, o petista vinha tentando construir uma aproximação com o líder americano. Em maio, os dois se encontraram e discutiram questões ligadas ao comércio entre os países.
Ao comentar o cenário político, Lula também criticou brasileiros que, segundo ele, estariam atuando em favor de interesses externos durante a disputa eleitoral. “Estão querendo trair o Brasil com interesses mesquinhos de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria”, declarou.
Referência ao golpe de 1964
Na parte final do discurso, o presidente citou o golpe militar de 1964 e lembrou o apoio que os Estados Unidos deram ao movimento que resultou na instalação da ditadura militar no Brasil.
Lula afirmou que o país conhece sua história e quer manter relações construtivas com Washington, mas sem abrir mão do respeito mútuo. “Nós não queremos guerra. Queremos construir a narrativa verdadeira de uma relação que já dura 201 anos e fortalecer nossa relação institucional com os Estados Unidos”, disse.






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