Em meio às críticas sobre os altos preços e a falta de vagas em hotéis em Belém para a COP30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende dormir em um barco durante a conferência climática. A declaração foi feita nesta quinta-feira (2), em evento no Pará.
Lula reconheceu os problemas de infraestrutura da capital paraense, mas insistiu que a escolha da cidade como sede da conferência foi estratégica para expor ao mundo os desafios e a importância da Amazônia. “Eu sei os problemas de Belém, sei os problemas de drenagem, sei os problemas da pobreza, mas, veja, por que aceitamos o desafio de fazer a COP lá? É preciso mostrar para o mundo o que é a Amazônia e o que é o Pará. Não vai ser a COP do luxo”, afirmou.
O presidente ainda disse que conversou com a primeira-dama, Janja, sobre o tema e que abrirá mão de hotel: “Eu falei para a Janja, eu não vou nem ir para hotel, eu vou dormir em um barco”. Em tom de brincadeira, completou: “Enquanto os gringos estiverem dormindo, eu vou estar pescando. Quem sabe eu consiga pegar um filhote, um pirarucu”.
Amazônia no centro das atenções
As críticas internacionais surgiram após delegações de diferentes países questionarem os altos custos e a qualidade das acomodações em Belém, sugerindo até a mudança da sede do evento. A COP30, no entanto, será mantida na capital paraense, com Lula reiterando que a conferência será “a COP da verdade”, em contraste com encontros anteriores sediados em cidades como Dubai ou Paris.
O presidente defende que líderes mundiais conheçam de perto as dificuldades vividas por quem habita a região amazônica. “Não adianta esperar uma estrutura de luxo. É aqui que se decide o futuro climático do planeta, e é isso que os países ricos precisam ver”, tem repetido o chefe do Executivo.
Preocupação com a hospedagem
Até o momento, 87 países confirmaram presença no encontro climático, mas pouco menos da metade das delegações tem hospedagem garantida, o que mantém o tema como uma das principais preocupações logísticas.
Segundo o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da conferência, e Ana Toni, diretora-executiva do evento, as obras de preparação já estão praticamente concluídas. Eles garantem que a logística avançou e que o cenário de dificuldades é bem menor do que se temia meses atrás. “A questão da hospedagem sempre retorna devido ao preço muito alto dos hotéis, mas o trabalho da força-tarefa que está ajudando os países a encontrar quartos avançou de forma significativa. Muitos países já estão confirmando suas reservas”, disse Corrêa do Lago.
COP30 a menos de dois meses
O evento está marcado para começar em menos de dois meses. Apesar das críticas, o governo brasileiro aposta que a realização em Belém consolidará a imagem da Amazônia como protagonista no debate global sobre o clima.
Lula, por sua vez, reforça o tom político da escolha: “Não será a COP do luxo, mas a COP que mostrará a realidade da região”.






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