A morte de Luiz Alves Neto encerrou uma trajetória marcada pela militância política, pela resistência à ditadura militar e pela construção dos movimentos de esquerda no Rio Grande do Norte. Conhecido em Mossoró como “Velho Comunista”, ele morreu aos 85 anos, após complicações cardíacas decorrentes de problemas de saúde agravados pelo diabetes.
Figura histórica da militância potiguar, Luiz Alves Neto foi apontado como um dos fundadores do movimento comunista em Mossoró e uma das principais referências da esquerda na região Oeste do estado. Ao longo da vida, acumulou experiências que atravessaram movimentos estudantis, sindicalismo, clandestinidade e perseguição política durante o regime militar.
Prisão e tortura
Nascido em 1940, em Areia Branca, filho de um trabalhador salineiro, Luiz Alves Neto se mudou ainda jovem para Mossoró, onde concluiu os estudos e iniciou sua atuação política.
Durante a juventude, participou dos movimentos estudantis e mais tarde ingressou no curso de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Também foi aprovado no primeiro concurso do Banco do Brasil, em 1963, iniciando carreira no setor bancário ao mesmo tempo em que fortalecia a militância sindical.
Nos anos da ditadura militar, tornou-se um dos principais integrantes do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Ao lado da companheira Anatália, participou de guerrilhas rurais em Pernambuco que combatiam o regime.
Em dezembro de 1972, acabou preso em Vitória de Santo Antão. Depois da prisão, foi levado para a Ilha de Itamaracá, onde enfrentou sessões de tortura durante o período de encarceramento.
No mês seguinte à prisão, sua companheira foi morta por militares. Luiz Alves Neto só conseguiu habeas corpus mais de um ano depois e permaneceu na clandestinidade até a anistia de 1979.
Referência da esquerda
Após retornar ao Rio Grande do Norte, passou a atuar como articulador político, escritor e palestrante. Tornou-se uma espécie de referência para militantes e lideranças de esquerda em Mossoró e em outras cidades potiguares.
Além do PCBR, ajudou posteriormente na construção do Partido dos Trabalhadores no estado. Também participou da fundação da Oposição Bancária de Mossoró e da região Oeste Potiguar.
Mesmo fora dos grandes centros políticos, Luiz Alves Neto manteve forte influência nos debates locais. Em sua casa, costumava receber estudantes, militantes e amigos para longas conversas sobre política, filosofia e história. Entre livros e debates, mantinha um busto de Karl Marx em sua biblioteca.
Vida além da militância
Além da política e do sindicalismo, Luiz Alves Neto também se aventurou em outras áreas. Tentou empreender com uma videolocadora em Areia Branca e chegou a montar uma empresa de assistência técnica para televisores após estudar eletrônica por cursos de correspondência.
Na década de 1990, voltou ao serviço público como assessor parlamentar de vereador em Mossoró e seguiu realizando palestras sobre política e memória da ditadura.
Dentro de casa, era visto pelos filhos como um “pai-professor”, sempre incentivando a leitura, os estudos e a formação política. Segundo familiares, resistiu até os últimos dias apesar das limitações de saúde causadas pelo diabetes e pelas sessões frequentes de hemodiálise.
Legado registrado em livro
A trajetória de Luiz Alves Neto foi registrada no livro “Luiz Alves – Abdicar da Luta, Jamais!”, escrito pelo historiador Lemuel Rodrigues.
Ele deixa cinco filhos — Graciliano, Glênio, Graco, Mariana e Carlos — além de uma neta.






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