Uma operação de limpeza subaquática retirou 55 resíduos do fundo do mar na Ilha de Palmas, uma das ilhas do Monumento Natural das Ilhas Cagarras, a cerca de quatro quilômetros da orla de Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A ação foi realizada nesta segunda-feira e reuniu 15 mergulhadores.
Entre os materiais encontrados estavam solados de sapatos, pneus, teclas de controle remoto, chupeta, termômetro, vara de pesca e isqueiros. Também foram recolhidos aparelhos de barbear, fitas para teste de glicemia, fone bluetooth, uma perna de óculos e canetas.
A iniciativa foi realizada pelo Copacabana Palace e pela ONG Parley for the Oceans, em parceria com o Projeto Ilhas do Rio e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A atividade integrou as ações relacionadas ao Dia Mundial da Limpeza de Praias, celebrado em 19 de setembro.
Área foi definida após mapeamento
Os mergulhos ocorreram em uma área de aproximadamente 1.500 metros quadrados, escolhida a partir de um mapeamento realizado previamente. Durante o trabalho, os mergulhadores precisaram fazer várias viagens para levar os resíduos retirados do fundo do mar até a superfície.
Um dos pneus encontrados exigiu o trabalho conjunto de dois mergulhadores para ser removido. Segundo Antonia Mascarenhas, diretora global de educação da Parley for the Oceans, a diversidade dos materiais mostrou uma parte da poluição marinha que normalmente não é percebida por quem está na superfície.
A ação teve como objetivo contribuir para a conservação da região e chamar a atenção para resíduos que permanecem submersos e não são vistos por quem frequenta as praias. A presença desses materiais também pode afetar diferentes espécies que vivem no ambiente marinho.
Resíduos podem afetar a fauna marinha
Os impactos provocados pelo lixo variam conforme o tipo de material. Linhas, cordas e outros objetos podem causar emaranhamento e ferimentos em animais, enquanto fragmentos menores podem ser ingeridos por organismos marinhos.
Materiais plásticos que permanecem no ambiente podem se degradar e se fragmentar em partículas cada vez menores. A permanência desses resíduos no mar prolonga a possibilidade de interação com a fauna e com o ecossistema.
As Ilhas Cagarras têm importância para a biodiversidade da costa do Rio de Janeiro. O arquipélago é uma unidade de conservação federal de proteção integral e abriga áreas de refúgio para aves marinhas, além de diferentes espécies de animais.
Ilhas Cagarras são área de conservação
O Monumento Natural do Arquipélago das Ilhas Cagarras fica a poucos quilômetros da costa carioca. As ilhas e suas águas foram reconhecidas, em 2021, como Pontos de Esperança pela Mission Blue, aliança internacional de conservação marinha liderada pela bióloga e exploradora Sylvia Earle.
A escolha da região para a expedição está relacionada à importância ecológica do arquipélago e à presença de diferentes espécies marinhas. A iniciativa faz parte de uma agenda de sustentabilidade desenvolvida pelo Copacabana Palace em parceria com a Parley for the Oceans e outras instituições.
Segundo representantes envolvidos na ação, a expedição integra uma programação mais ampla de iniciativas de preservação ambiental e não deve ser considerada uma atividade isolada. A parceria entre a Parley for the Oceans e a Belmond, grupo ao qual pertence o hotel, existe há cerca de três anos.
Rodolitos foram encontrados perto das Cagarras
As Ilhas Cagarras também são alvo de pesquisas sobre formações de rodolitos. Em abril, pesquisadores identificaram dois bancos dessas estruturas nas proximidades do arquipélago, a aproximadamente quatro quilômetros da praia de Ipanema.
Os rodolitos são formados por algas calcárias e têm aparência semelhante à de recifes de coral. Eles servem como abrigo para diferentes espécies marinhas e estão presentes em áreas de profundidade variável.
O maior banco ocupa cerca de 20 mil metros quadrados, área equivalente a quase três campos de futebol, e está a aproximadamente dez metros de profundidade. O segundo é mais profundo, possui distribuição mais esparsa e ainda foi pouco explorado pelos pesquisadores.
Entre os animais encontrados nessas áreas estão espécies de peixes como vermelhos, budiões e cangulos. A concentração de cangulos é apontada como a origem do apelido “Cangulândia”, usado por pescadores da região.







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