Os principais líderes europeus divulgaram neste domingo (10) uma carta conjunta defendendo a manutenção da pressão sobre a Rússia e reafirmando o apoio à Ucrânia, dias antes de uma reunião marcada entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump no Alasca. O encontro, previsto para 15 de agosto, é parte da iniciativa de Trump para buscar um acordo que encerre a guerra iniciada em fevereiro de 2022 com a ocupação russa de territórios da Ucrânia.
A cúpula será realizada sem a presença do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que exigiu participar das negociações. “Aplaudimos o trabalho do presidente Trump para impedir o massacre na Ucrânia” e “estamos prontos para apoiar esse trabalho diplomaticamente, além de manter nosso substancial apoio militar e financeiro à Ucrânia” e “manter e impor medidas restritivas contra a Federação Russa”, diz o documento europeu. Segundo os signatários, “somente uma abordagem que combine diplomacia ativa, apoio à Ucrânia e pressão sobre a Federação Russa” poderá levar à paz.
O texto é assinado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, pelo premiê polonês, Donald Tusk, e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, além da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Enquanto isso, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com Putin no sábado (9) e reiterou a disposição do Brasil de colaborar com uma solução pacífica. Segundo a Presidência, o líder russo “agradeceu a Lula por seu comprometimento e interesse na questão”. As três rodadas de negociações realizadas este ano entre Kiev e Moscou não tiveram avanços, e não está claro se a cúpula trará resultados concretos.
Ao anunciar o encontro, Trump afirmou que “haverá alguma troca de territórios em benefício de ambos”, referindo-se à Ucrânia e à Rússia, mas sem dar detalhes. A declaração provocou reação imediata de Zelensky: “Decisões não podem ser tomadas contra nós, decisões não podem ser tomadas sem a Ucrânia. Seria uma decisão contra a paz. Eles não alcançarão nada. Os ucranianos não entregarão suas terras ao ocupante.”
O presidente ucraniano disse ter conversado com Macron, que escreveu na rede X que “o futuro da Ucrânia não pode ser decidido sem os ucranianos”. O premiê espanhol, Pedro Sánchez, também falou com Zelensky, expressando “total apoio” e defendendo “uma paz justa e duradoura que respeite a independência e a soberania da Ucrânia”.
A guerra já deixou dezenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e destruição em larga escala. Apesar de apelos por cessar-fogo, Putin mantém ofensivas, especialmente no leste da Ucrânia. Neste sábado (9), ataques aéreos russos mataram quatro pessoas em Donetsk e duas em Kherson, além de ferir cerca de 20, segundo autoridades locais.
As posições de Kiev e Moscou permanecem inconciliáveis. A Rússia exige a cessão de quatro regiões parcialmente ocupadas (Donetsk, Luhansk, Zaporíjia e Kherson), além da Crimeia, anexada em 2014, e a renúncia da Ucrânia a armamentos ocidentais e à entrada na Otan. Já a Ucrânia exige a retirada total das tropas russas de seu território e garantias de segurança, incluindo mais fornecimento de armas e, possivelmente, a presença de tropas europeias — condição rejeitada por Moscou.






Deixe um comentário