O deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP), presidente nacional do Republicanos, afirmou que ainda não há uma definição consolidada da direita em torno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência da República. A avaliação foi feita na sexta-feira (23) e ocorre em meio ao acirramento das disputas internas no campo conservador e a ataques públicos de lideranças do Partido Liberal a aliados do centrão e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Segundo Pereira, a narrativa de que a direita já estaria unificada em torno do nome de Flávio Bolsonaro não corresponde à realidade atual do cenário político. Para ele, há uma fragmentação clara entre diferentes lideranças e projetos regionais que ainda disputam espaço para 2026.
“Quando você diz que a direita fecha com o Bolsonaro, com o Flávio Bolsonaro, não está tudo certo ainda. O Caiado, o governador de Goiás, tem dito que vai ser candidato, o Romeu Zema, de Minas, tem dito que vai ser candidato, o Ratinho está sinalizando que pode ser candidato. Eu acho que ainda não está fechado; pelo contrário, está dividido”, avaliou o republicano.
Disputa interna na direita
A fala de Marcos Pereira surge em um contexto de tensão crescente entre o PL e partidos do centrão que orbitam o campo da direita. Nos últimos dias, lideranças do Partido Liberal intensificaram críticas ao Republicanos e, especialmente, ao governador paulista Tarcísio de Freitas, apontado por parte do espectro conservador como um possível nome competitivo para a sucessão presidencial.
Na semana passada, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que Tarcísio não é o sucessor natural do ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar o Palácio do Planalto. Cavalcante também criticou a ausência de um apoio público mais enfático do governador de São Paulo à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
As declarações ampliaram o atrito entre os dois partidos e reforçaram a percepção de que a direita ainda busca um ponto de convergência para 2026.
Busca por apoio do Centrão
Diante desse cenário, Flávio Bolsonaro tem sinalizado que pretende intensificar, nos próximos meses, a busca por apoio de partidos do centrão como forma de dar musculatura política à sua eventual candidatura. Até agora, no entanto, o senador conta apenas com o apoio formal do próprio Partido Liberal.
A ausência de alianças mais amplas tem alimentado dúvidas sobre a viabilidade de uma candidatura unificada e aberto espaço para que outros governadores e lideranças regionais mantenham seus projetos presidenciais em aberto.
Resposta a Eduardo Bolsonaro
Além de comentar o quadro eleitoral, Marcos Pereira reagiu diretamente a declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre Tarcísio de Freitas. Em fala recente, o filho do ex-presidente minimizou a trajetória política do governador paulista e sugeriu que ele não teria margem para se afastar politicamente de Jair Bolsonaro.
“O Tarcísio até ontem era um servidor público, um desconhecido da sociedade. Ganhou notoriedade sendo ministro da Infraestrutura e, depois, foi eleito em São Paulo graças ao presidente Jair Bolsonaro. Ele não tem a opção de ir contra o Bolsonaro”, afirmou Eduardo.
A resposta de Marcos Pereira foi dura e pessoal, elevando o tom do embate entre as siglas.
“Achei uma fala extremamente deselegante e arrogante. Ele disse que Tarcísio é apenas um servidor público, e ele também é apenas um escrivão da Polícia Federal fugitivo, está foragido nos Estados Unidos”.
Cenário aberto para 2026
As declarações evidenciam que, a pouco mais de um ano do início oficial do calendário eleitoral, o campo da direita segue longe de um consenso. Com governadores como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Ratinho Júnior mantendo discursos de pré-candidatura, e com disputas públicas entre aliados do bolsonarismo e partidos do centrão, o desenho da sucessão presidencial permanece indefinido.
Para Marcos Pereira, a multiplicidade de nomes e interesses torna prematuro qualquer anúncio de união. A avaliação é de que o debate seguirá aberto e marcado por disputas internas até que o campo conservador encontre uma candidatura capaz de aglutinar diferentes forças políticas.






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