Empresa ligada a Flávio Bolsonaro não funciona no endereço informado, diz reportagem

Jornal relata que sala indicada pela Copenhagen é ocupada por outra empresa do mesmo proprietário em São Caetano do Sul

Uma reportagem publicada pelo Estadão afirma que a empresa de consultoria Copenhagen, para a qual o escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu R$ 1 milhão em notas fiscais posteriormente canceladas, não funciona no endereço informado à Receita Federal.

Segundo o jornal, a equipe esteve nesta sexta-feira (24) no imóvel registrado pela empresa, em São Caetano do Sul (SP), e verificou que a sala indicada é ocupada pela Contábil Corrêa, empresa pertencente ao mesmo proprietário da Copenhagen, o empresário Rogério Lourenço Novo.

A Copenhagen é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de ocultação de patrimônio no âmbito das apurações relacionadas ao caso Master.

Reportagem encontrou apenas outra empresa no local

De acordo com o Estadão, tanto a Copenhagen quanto a Contábil Corrêa estão registradas no mesmo conjunto comercial. Nos cadastros da Receita Federal, cada uma informa ocupar uma sala distinta dentro do conjunto, identificado como “Sala A” e “Sala B”.

No entanto, durante a visita ao endereço, a reportagem relata que não encontrou qualquer identificação da Copenhagen. O painel do edifício e a porta da sala exibiam apenas o nome da Contábil Corrêa.

Ainda segundo o jornal, um funcionário informou que o proprietário da empresa estava de férias e afirmou que o espaço funciona como sede da Contábil Corrêa.

Notas fiscais são alvo de questionamentos

A reportagem relembra que o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1 milhão em notas fiscais para a Copenhagen, documentos que posteriormente foram cancelados.

Além disso, documentos obtidos anteriormente e confirmados pelo Estadão apontam que a Contábil Corrêa efetuou um pagamento de R$ 500 mil ao senador por serviços descritos como “assessoria jurídica”.

Em manifestações públicas anteriores, Flávio Bolsonaro afirmou que prestou serviços advocatícios de forma legal, mas não detalhou a natureza do trabalho nem explicou os motivos que levaram ao cancelamento das notas emitidas para a Copenhagen.

Empresas e pré-campanha foram procuradas

Segundo o Estadão, a reportagem tentou contato com Rogério Lourenço Novo, mas não conseguiu localizá-lo.

A Copenhagen foi procurada por e-mail, e a resposta foi enviada pela Trustee, gestora que informou administrar um fundo de investimentos acionista da empresa. A gestora afirmou que não integra a administração da Copenhagen nem participa de decisões relacionadas ao funcionamento da consultoria ou ao endereço de sua sede.

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro também foi procurada pelo jornal, mas, de acordo com a publicação, não apresentou resposta até o fechamento da reportagem.

A investigação envolvendo a Copenhagen integra as apurações relacionadas ao caso Master, conduzidas pela Polícia Federal.

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