O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, classificou como “preocupante” o assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, ocorrido na noite de segunda-feira em Praia Grande, no litoral sul do estado. Segundo reportagem do jornal O Globo, o ministro disse ter telefonado ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para prestar solidariedade e oferecer apoio do governo federal nas apurações.
— Muito nos preocupa. Foi um assassinato brutal e nos mostra o nível de violência que se passa aqui no Brasil e em outros países — afirmou Lewandowski. E continuou:
— Liguei ao governador prestando a minha solidariedade pessoal. Nós nos colocamos à disposição do Estado, principalmente no que diz respeito à Polícia Científica, com [banco de dados] de DNA, balística, informações. As investigações estão em aberto, não temos nada de concreto ainda. Com certeza elas serão bem conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo — completou, acrescentando que o governo federal atuará como “coadjuvante”.
Declarações sobre falta de proteção
Em entrevista concedida ao jornal O Globo no dia 25 de agosto, Fontes havia revelado que temia por sua segurança e vivia desprotegido em Praia Grande, onde morava sozinho. A fala ocorreu durante a gravação de um podcast da rádio CBN e do próprio jornal.
— Eu tenho proteção de quem? Eu moro sozinho, eu vivo sozinho na Praia Grande, que é no meio deles. Pra mim é muito difícil. Se eu fosse um policial da ativa, eu tava pouco me importando, teria estrutura para me defender, hoje não tenho estrutura nenhuma — disse o ex-delegado.
Aos 63 anos, Fontes estava aposentado da Polícia Civil desde 2022 e exercia o cargo de secretário de Administração de Praia Grande desde janeiro de 2023.
Alvo do PCC
Investigações já indicavam que Fontes figurava entre os alvos da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Em 2023, o Ministério Público de São Paulo recebeu informações da Polícia Federal de que ele, o ex-juiz e senador Sérgio Moro e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya eram citados em um plano de execução. O nome de Fontes não veio a público, mas ele foi avisado pessoalmente da ameaça.
Fontes tinha histórico de enfrentamento direto com o PCC. No início dos anos 2000, sua equipe indiciou todos os líderes da facção por formação de quadrilha. Foi o responsável por revelar a estrutura hierárquica e a extensão da organização criminosa pouco após sua fundação nos presídios paulistas. Também conduziu os inquéritos que resultaram nas principais condenações de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do grupo.
Inimigo número 1 da facção
A atuação firme fez de Fontes um dos principais inimigos do PCC. Desde os anos 2000, autoridades descobriram sucessivos planos para executá-lo. A ameaça mais recente havia sido neutralizada pela Polícia Federal em março de 2023, quando uma operação desmobilizou parte do plano criminoso.
Sua morte em Praia Grande reacende o debate sobre a proteção a ex-integrantes das forças de segurança que enfrentaram diretamente o crime organizado e, mesmo após a aposentadoria, permanecem sob risco.






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