Lewandowski nega ter recebido pedido de apoio do Rio para megaoperação

Ministro da Justiça afirma que não foi acionado por Cláudio Castro antes da ação mais letal da história do estado

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta terça-feira (28) que não recebeu qualquer solicitação formal do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), sobre a operação policial que resultou em mais de 60 mortes na capital fluminense.

“Não recebi nenhum pedido do governador do Rio de Janeiro para essa operação”, disse Lewandowski, ao comentar a ação que se transformou na mais letal da história do estado. A operação conjunta das forças de segurança, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, teve como objetivo combater a expansão territorial do Comando Vermelho e mobilizou milhares de agentes. Segundo balanço preliminar, pelo menos 64 pessoas morreram, incluindo dois policiais civis.

Castro diz que pediu envio de tropas três vezes

Durante entrevista coletiva, o governador Cláudio Castro afirmou que já havia solicitado três vezes o envio de tropas das Forças Armadas para apoiar o policiamento em áreas conflagradas, mas que todos os pedidos foram negados pelo governo federal. .

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) foi apresentada pelo PSB e estabeleceu regras para a atuação das forças de segurança, permitindo ações apenas em casos considerados excepcionais e urgentes. Castro argumenta que, desde a decisão, o tráfico de drogas teria se fortalecido e recebido lideranças de outros estados que migraram para o Rio de Janeiro.

O governo federal, por sua vez, sustenta que tem prestado apoio contínuo ao estado, inclusive com a presença da Força Nacional desde 2023, conforme informado em nota divulgada pelo Ministério da Justiça no mesmo dia. A pasta também reiterou que a cooperação com o Rio de Janeiro continua “aberta a novas solicitações formais de apoio”.

A crise reacende o embate entre o Palácio Guanabara e o Planalto sobre o papel do governo federal na segurança pública fluminense. Enquanto Cláudio Castro busca reforçar o discurso de que o Rio está “abandonado” pela União, o Ministério da Justiça sinaliza que não foi oficialmente demandado para atuar na operação desta semana — um ponto que deve acirrar a disputa política em meio ao cenário de violência sem precedentes na capital.

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