Justiça mantém prisão do ex-delegado Maurício Demétrio em processo sobre propina em Petrópolis

Demétrio é acusado de chefiar esquema que cobrava propina de lojistas da Rua Teresa para permitir a venda de roupas falsificadas sem fiscalização

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A Justiça do Rio manteve a prisão preventiva do ex-delegado Maurício Demétrio, acusado de liderar um esquema de cobrança de propina de comerciantes da Rua Teresa, em Petrópolis, na Região Serrana. Preso desde junho de 2021, ele teve um pedido de liberdade negado e aguarda a sentença do processo.

Segundo as investigações do Ministério Público, lojistas pagavam propina para poderem vender roupas falsificadas sem sofrer ações de fiscalização. Demétrio comandava a Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), unidade na qual o grupo investigado teria atuado, e passou a ser apontado como líder da organização.

O processo faz parte de uma ação penal mais ampla que reúne, ao todo, 11 acusados. Desde então, diversos processos foram instaurados contra Demétrio e outros investigados, envolvendo diferentes crimes relacionados ao suposto esquema de corrupção e favorecimento ilegal.

Ao rejeitar o pedido de liberdade, o juiz Thiago Portes Vieira de Souza, da 1ª Vara Criminal Especializada, apontou o risco de repetição dos crimes e a suposta utilização da estrutura do Estado nas práticas investigadas.

Defesa citou absolvição em outro processo

Os advogados de Demétrio argumentaram que ele já foi exonerado da Polícia Civil e que a fase de produção de provas estaria encerrada para a acusação. Também citaram a absolvição do ex-delegado em outro processo, por obstrução da Justiça.

Essa absolvição foi decidida em julho pela 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. O resultado, porém, não encerrou as demais ações contra Demétrior relacionadas aos demais crimes nem levou à sua soltura, que ainda serão analisadas pela Justiça.

Na análise do novo pedido de liberdade, o juiz entendeu que os argumentos da defesa não afastavam os fundamentos da prisão preventiva. Além da gravidade dos fatos, mencionou processos relacionados nos quais o ex-delegado responde por acusações igualmente graves. A decisão também cita o uso indevido de sistemas sigilosos e bancos de dados restritos da administração pública para obter informações sobre autoridades, integrantes do Ministério Público, testemunhas e familiares de agentes públicos.

Os autos foram encaminhados ao magistrado responsável pela conclusão da fase de produção de provas. A situação prisional do ex-delegado deverá ser reavaliada no momento da sentença.

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