Justiça mantém presa falsa advogada suspeita de golpe milionário

Michele Coelho Montenegro é investigada por participação em esquema de estelionato envolvendo obras de arte avaliadas em mais de R$ 10 milhões

A Justiça do Rio manteve a prisão preventiva de Michele Coelho Montenegro, de 47 anos, conhecida como Mia Montenegro, por integrar um esquema de fraude milionária envolvendo a negociação de obras de arte. A decisão foi tomada durante audiência de custódia na última quinta-feira (5).

Michele foi presa na quarta-feira (4) durante a Operação Tela Falsa, deflagrada pela Polícia Civil. Ela é investigada por crimes de estelionato e apropriação indébita relacionados à comercialização de obras de arte avaliadas em mais de R$ 10 milhões.

A prisão ocorreu em um apartamento na Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema, Zona Sul do Rio. Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Defraudações (DDEF), a suspeita teria construído uma falsa imagem de credibilidade, apresentando-se como advogada, herdeira de uma fortuna e conhecedora do mercado de arte para conquistar a confiança de um antiquário.

Antiquário sofreu prejuízo milionário

De acordo com a polícia, a vítima entregou quatro obras de arte de alto valor à investigada após ser convencida de que participaria de negócios lucrativos. Entre as peças estariam trabalhos dos artistas brasileiros Sérgio Camargo e Ivan Serpa. As obras teriam sido negociadas por Michele como se fossem de sua propriedade, sem que fossem devolvidas ao verdadeiro dono.

As apurações apontam ainda que a suspeita entregou cheques nos valores de R$ 430 mil, R$ 840 mil e R$ 900 mil, que posteriormente foram devolvidos pelos bancos sob indicação de fraude.

O delegado Marcos Buss, titular da DDEF, informou que Michele é mencionada em pelo menos 17 procedimentos investigativos. A polícia também apura a participação de outras pessoas no esquema.

Busca e apreensão

Durante a operação, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Ipanema, Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca e Niterói. Um quadro foi apreendido na posse de um advogado, e os investigadores buscam rastrear valores, identificar bens relacionados às fraudes e responsabilizar outros possíveis envolvidos.

Outro detalhe revelado pelas investigações é que Michele ocupava, desde outubro do ano passado, um cargo de assessora na Secretaria Estadual da Casa Civil, utilizando o nome social Mia Montenegro. Após a prisão, a pasta informou que promoveu sua exoneração em edição extraordinária do Diário Oficial.

Atualmente, a investigada permanece detida no Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, na Zona Norte do Rio, à disposição da Justiça.

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