Justiça do Rio decreta nova prisão preventiva de ex-CEO da Hurb por uso de documento falso

Juiz aponta descumprimento de medidas cautelares e risco à ordem pública; paradeiro de João Ricardo Rangel Mendes é desconhecido

A Justiça do Rio de Janeiro decretou nesta quarta-feira (7) uma nova prisão preventiva do empresário João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da Hurb. Segundo reportagem do portal g1, a decisão foi assinada pelo juiz da 32ª Vara Criminal da capital, André Felipe Veras de Oliveira, atendendo a um pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro. As autoridades informaram que não sabem, até o momento, qual é o paradeiro do empresário.

O novo mandado foi expedido após Mendes ser flagrado tentando embarcar em um voo no Aeroporto Regional de Jericoacoara, no Ceará, usando um documento falso e com a tornozeleira eletrônica descarregada. A conduta foi considerada descumprimento das medidas cautelares impostas quando ele obteve liberdade provisória, em agosto de 2025, depois de ter sido preso por furtos no Rio de Janeiro.

Decisão judicial e fundamentação

Ao determinar a prisão, o magistrado destacou que a liberdade concedida anteriormente não poderia ser utilizada como oportunidade para a prática de novos crimes. “(…) O certo é que o deferimento de sua liberdade, ainda que com a imposição de medidas cautelares alternativas à prisão, não pode servir jamais como oportunidade para que ele pratique novos crimes; no caso, o de uso de documento falso. Tornou-se evidente, portanto, que a manutenção da liberdade do acusado gera risco concreto à ordem pública, fato que justifica o seu retorno ao cárcere”, afirmou o juiz na decisão.

O magistrado ressaltou ainda que não havia informações precisas sobre a situação atual do empresário, se ele continuava detido no Ceará ou se já havia sido liberado. Diante dessa incerteza, determinou que as forças policiais fossem comunicadas para o cumprimento do novo mandado de prisão.

Argumentos da defesa e resposta do juiz

Em manifestação ao juízo, a defesa de João Ricardo alegou que não houve descumprimento das medidas cautelares, uma vez que o empresário não teria permanecido mais de 30 dias fora do Rio de Janeiro sem autorização judicial. Segundo o advogado Vicente Ramos Donnici, Mendes viajou ao Ceará no dia 29 de dezembro.

A defesa também sustentou que não haveria comprovação de que a tornozeleira eletrônica estivesse desligada e que, caso estivesse, o fato não teria sido intencional. O juiz, porém, rechaçou o argumento ao mencionar relatório da Secretaria de Administração Penitenciária. Segundo ele, quanto à tornozeleira, “o relatório de monitoramento trazido pela SEAP é assertivo quanto às reiteradas violações de monitoramento feitas pelo réu”.

No pedido de prisão, o Ministério Público apontou ainda que o empresário vinha desrespeitando outras determinações judiciais, como a obrigação de apresentar relatórios médicos desde setembro, exigência estabelecida quando a prisão preventiva foi convertida em medidas cautelares.

Prisão no aeroporto de Jericoacoara

João Ricardo, que ganhou notoriedade nacional ao comandar a Hurb durante a crise que resultou no cancelamento de milhares de viagens vendidas pela empresa, foi detido novamente na noite de segunda-feira (5) no Aeroporto Regional de Jericoacoara. Ele tentava embarcar em um voo com destino a Guarulhos, em São Paulo.

Funcionários da companhia aérea e da equipe de segurança desconfiaram da autenticidade do documento apresentado. Durante a abordagem, foi constatada a falsificação e verificado que a tornozeleira eletrônica estava descarregada. O empresário foi autuado por uso de documento falso e levado à Delegacia Regional de Acaraú.

Na audiência de custódia realizada na terça-feira (6), Mendes obteve liberdade provisória. A defesa argumentou que havia um acordo com o Ministério Público e o juiz, priorizando “o restabelecimento de sua saúde plena, com acompanhamento médico”.

Histórico de prisões e medidas cautelares

João Ricardo havia sido preso em flagrante em abril de 2025 após furtar obras de arte de um hotel na Barra da Tijuca e itens de um escritório de arquitetura. Posteriormente, foi denunciado pelo MPRJ por furto qualificado e adulteração de identificação de veículo.

Ele permaneceu em prisão preventiva por cerca de três meses, até receber liberdade em agosto de 2025, sob condições como monitoramento eletrônico, proibição de deixar o estado do Rio de Janeiro sem autorização judicial e entrega do passaporte. Também foi instaurado um incidente para avaliar eventual questão de saúde mental.

Ao justificar a nova prisão preventiva, o juiz reforçou que, independentemente de intenção específica, o uso de documento falso configura novo crime e que o reiterado descumprimento das medidas cautelares representa risco concreto à ordem pública.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do empresário.

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