O empresário João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da agência de viagens Hurb, tornou-se réu em uma avalanche de processos judiciais movidos por consumidores que não conseguiram realizar viagens contratadas.
Levantamento exibido pelo RJ2 aponta que, apenas na esfera cível, ele é citado em pelo menos 1.400 ações em tramitação no Judiciário. Os processos refletem o impacto de uma crise que deixou milhares de clientes sem viagens, reembolsos ou alternativas concretas.
Prisões e descumprimento de medidas judiciais
João Ricardo foi preso pela primeira vez em abril do ano passado, em flagrante, acusado de furtar obras de arte de um hotel e peças de um escritório de arquitetura. Quatro meses depois, a prisão foi substituída por medidas cautelares, após a defesa alegar comprometimento da saúde mental do empresário.
Entre as exigências impostas pela Justiça estavam a apresentação mensal ao Judiciário, a proibição de deixar o estado do Rio de Janeiro por mais de 30 dias e a entrega periódica de relatórios médicos. De acordo com o Ministério Público, essas determinações deixaram de ser cumpridas.
Nesta semana, João Ricardo voltou a ser detido, desta vez em Jericoacoara, no Ceará, ao tentar embarcar em um voo para São Paulo. As investigações indicam que ele usava documento falso e estava com a tornozeleira eletrônica descarregada. Após passar um dia preso, foi solto em audiência de custódia.
A liberdade, no entanto, durou pouco. Na quarta-feira (7), a Justiça do Rio determinou novamente a prisão do empresário. Na decisão, o juiz registrou: “É evidente que a liberdade do acusado gera risco concreto à ordem pública, fato que justifica o seu retorno à cadeia”.
Para o Judiciário, o ex-CEO descumpriu as medidas cautelares e, por isso, já é considerado foragido.
Pedido de alerta internacional e sanções administrativas
Diante do cenário, o Ministério Público do Rio solicitou a inclusão do nome de João Ricardo na lista vermelha da Interpol, além do bloqueio do passaporte. A medida busca impedir que ele deixe o país enquanto responde aos processos criminais e cíveis.
No campo administrativo, a situação da Hurb também se agravou. O Ministério do Turismo informou que o cadastro da empresa está cancelado desde abril de 2025, por descumprimento da legislação do setor. Já o Procon-RJ afirma que recebeu mais de 8 mil reclamações envolvendo a empresa nos últimos quatro anos e que o alvará de funcionamento foi cassado.
O que diz a defesa
A defesa de João Ricardo Rangel Mendes informou que só irá se manifestar sobre o pedido de inclusão do nome do empresário na lista vermelha da Interpol após uma decisão da Justiça. Em relação aos demais questionamentos, os advogados preferiram não comentar.






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