João Ricardo Mendes, criador da empresa de turismo Hurb (antigo Hotel Urbano), viu sua trajetória sair da ascensão meteórica no setor de tecnologia e viagens para um cenário de controvérsias, acusações e problemas judiciais. A história do empresário, que voltou aos holofotes após ser preso por furto de obras de arte no Rio de Janeiro, foi relembrada pelo jornal O Globo neste sábado (26).
Nascido e criado no Rio, João Ricardo fundou, em 2011, o Hotel Urbano junto ao irmão, surfando na onda das plataformas de compras coletivas que impulsionavam pacotes de viagens acessíveis. O sucesso foi rápido: em poucos anos, a startup virou referência no setor, atraindo investimentos milionários e crescendo de forma agressiva durante o boom do turismo digital no Brasil.
A habilidade de marketing e o carisma inicial de João Ricardo o transformaram em uma espécie de “embaixador” de um novo modelo de negócios, baseado em vendas online e promoções relâmpago. Mas a imagem de empreendedor inovador começou a se desgastar à medida que a Hurb enfrentava desafios operacionais, denúncias de práticas abusivas e uma avalanche de processos judiciais.
Em 2023, João Ricardo renunciou ao cargo de CEO da Hurb após protagonizar uma série de episódios polêmicos nas redes sociais. Em publicações públicas, ele respondeu de forma agressiva a reclamações de clientes, o que gerou ampla repercussão negativa e acelerou a deterioração da reputação da empresa. Na ocasião, sua saída foi anunciada em meio a críticas e ações judiciais contra a plataforma, que acumulava milhares de reclamações de consumidores por atraso ou cancelamento de serviços contratados.
Ainda naquele ano, o Ministério do Turismo cancelou o cadastro da Hurb e, este ano, o site da empresa foi retirado do ar por decisão da Justiça, diante do volume crescente de processos. Só no Rio de Janeiro, a Hurb respondia a mais de 34 mil ações judiciais até este mês, segundo dados do Tribunal de Justiça.
O episódio mais recente envolvendo João Ricardo — a prisão em flagrante por furtar esculturas e quadros de estabelecimentos de luxo na Barra da Tijuca — apenas reforçou a percepção de queda livre na trajetória do empresário, que já havia visto sua credibilidade ruir no mercado corporativo.
Uso de motocicleta sem placa para retirar obras furtadas
Segundo a polícia, ele foi capturado após ser flagrado pelas câmeras de segurança disfarçado de operário, utilizando uma motocicleta sem placa para retirar as obras de arte de um hotel e de um escritório de arquitetura. No apartamento de luxo onde vivia, foram encontradas três esculturas e uma pintura avaliada em R$ 23 mil.
Apesar da confissão feita à polícia, em que alegou agir motivado por suposta dívida, o caso adiciona mais uma mancha à biografia de um dos nomes que, anos atrás, era celebrado como exemplo do empreendedorismo jovem brasileiro.
Hoje, João Ricardo Mendes é visto por muitos como símbolo de uma história que começou com promessas grandiosas, mas terminou em colapso — uma advertência sobre os riscos da mistura entre fama precoce, má gestão e falta de transparência.
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