CONJUR – A 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo recebeu denúncia, oferecida pelo Ministério Público Federal, contra o ex-médico legista José Manella Netto, por falsidade ideológica e ocultação de cadáver e, com isso, a ação penal começa a tramitar.
Em 1969, Manella Netto foi um dos autores do laudo de necrópsia do corpo de Carlos Roberto Zanirato, militante político submetido a intensas sessões de tortura e assassinado pela ditadura em junho daquele ano. O documento omitiu as verdadeiras causas do óbito, a fim de encobrir a responsabilidade dos agentes da repressão.
O relatório de Manella, assinado em conjunto com o médico já morto Orlando Brandão, corroborava a versão oficial sobre o episódio, segundo a qual o militante teria cometido suicídio ao saltar na frente de um ônibus na avenida Celso Garcia, zona leste da capital paulista.
Porém, o documento deixou de reportar diversas lesões que não poderiam ter sido causadas pelo suposto suicídio, mas apenas por agressões anteriores. Embora soubessem a identidade de Zanirato, os médicos registraram que a vítima era um “desconhecido”. Ele foi enterrado como indigente, longe dos olhos de qualquer familiar ou amigo que pudesse notar as evidentes marcas de tortura no corpo.






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