O julgamento de Jeander Vinícius da Silva Braga, acusado de participação na morte do ator Jeff Machado, tem início nesta quarta-feira (8), às 11 horas, no I Tribunal do Júri, no Centro do Rio, três anos após o crime. O réu responde pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e maus-tratos a animais. O caso ganhou repercussão nacional após o corpo do artista ser encontrado enterrado dentro de um baú, coberto por concreto, em uma residência na Zona Oeste da capital fluminense.
O processo foi separado e o segundo acusado, Bruno de Souza Rodrigues, será levado a julgamento em 10 de dezembro de 2026. Ele responde por um conjunto maior de acusações relacionadas ao crime.
A mãe de Jeff Machado viajou ao Rio de Janeiro para acompanhar pessoalmente o julgamento, que marca mais uma etapa da busca por responsabilização dos envolvidos, e deu depoimento emocionado pedindo justiça para o assassino de seu filho.
Como a investigação aponta que o crime aconteceu
De acordo com a Polícia Civil, o assassinato teria sido motivado pela cobrança feita por Jeff Machado após uma suposta falsa promessa de conseguir uma vaga em uma novela. As investigações indicam que o ator chegou a desembolsar cerca de R$ 18 mil acreditando que teria uma oportunidade na televisão.
Jeff desapareceu no fim de janeiro de 2023. Após meses de buscas, seu corpo foi localizado em 22 de maio, enterrado a cerca de dois metros de profundidade dentro de um baú concretado em um imóvel de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio.
Natural de Araranguá, em Santa Catarina, Jefferson Machado Costa tinha 44 anos. Conhecido por atuar na novela “Reis”, da Record, ele também acumulava experiências no jornalismo e em outras áreas profissionais.
Polícia afirma que sonho artístico foi usado pelos acusados
Segundo os investigadores, Jeff Machado foi escolhido por viver sozinho no Rio de Janeiro e estar distante da família, circunstâncias que teriam facilitado a ação criminosa. A polícia sustenta que o sonho do ator de crescer profissionalmente foi explorado pelos acusados.
As investigações apontam ainda que Bruno de Souza Rodrigues teria dopado e estrangulado Jeff dentro da própria residência. Em seguida, com a participação de Jeander, o corpo teria sido colocado em um baú e transportado até o imóvel onde acabou enterrado.
A polícia também afirma que Bruno utilizou a identidade da vítima para alugar a casa onde o cadáver permaneceu escondido até ser descoberto pelas autoridades.
Jeander está preso desde 2 de junho de 2023, em Santíssimo, na Zona Oeste.
Já Bruno também segue preso desde o dia 15 do mesmo mês, depois que a Polícia Militar o encontrou em um hostel no Morro do Vidigal, Zona Sul, em uma operação conjunta com a Polícia Civil.
Condenação pode superar 38 anos de prisão
Jeander responde por homicídio quadruplamente qualificado, ocultação de cadáver e maus-tratos a animais. Caso seja condenado por todos os crimes descritos na denúncia do Ministério Público, a pena pode ultrapassar 38 anos de prisão. O total, no entanto, dependerá da dosimetria da pena, etapa em que o juiz define a condenação de acordo com as circunstâncias do caso.
O crime mais grave é o de homicídio quadruplamente qualificado, praticado em concurso de pessoas. A denúncia aponta quatro qualificadoras, que tornam o crime mais severo perante a Justiça. Nesses casos, a pena prevista varia de 12 a 30 anos de reclusão.
Além da acusação de homicídio, o denunciado também responde por ocultação de cadáver. O crime prevê pena de um a três anos de reclusão, além do pagamento de multa.
A denúncia ainda inclui oito crimes de maus-tratos contra cães. Segundo o Ministério Público, seis fatos foram enquadrados na Lei de Crimes Ambientais e, em dois deles, há uma causa de aumento de pena porque os animais morreram. A acusação também sustenta que os maus-tratos ocorreram em continuidade delitiva, quando vários crimes da mesma natureza são praticados em sequência, permitindo o aumento da pena previsto no Código Penal.
Considerando apenas as penas máximas previstas em lei para o homicídio qualificado (30 anos), a ocultação de cadáver (3 anos) e o crime de maus-tratos (até 5 anos), a condenação supera 38 anos de reclusão. Esse tempo, porém, ainda pode aumentar em razão da continuidade delitiva e da causa de aumento relacionada à morte dos animais.
A pena definitiva só será definida ao fim do processo. Em caso de condenação, caberá ao juiz realizar a dosimetria da pena e estabelecer o tempo total de prisão conforme as provas produzidas e os critérios previstos na legislação.

Defesa nega homicídio e acusação aponta participação ativa
Durante o processo, Jeander Vinícius da Silva Braga admitiu participação apenas na ocultação do cadáver, mas negou qualquer envolvimento no assassinato.
A defesa sustenta que o acusado não participou da morte de Jeff Machado e afirma que essa versão será apresentada aos jurados durante o julgamento.
Já a assistência de acusação contesta essa narrativa. Segundo os advogados da família, Jeander participou do planejamento do crime, esteve presente no momento da morte da vítima, ajudou na ocultação do corpo e também teria atuado nos maus-tratos aos cães que pertenciam ao ator.
A expectativa agora é pela decisão dos sete jurados, que irão analisar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa para definir a responsabilidade do réu no caso que mobilizou o país.





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