A Justiça determinou que a defesa de Bruno Souza, acusado de matar e ocultar o corpo do ator Jeff Machado, apresente suas alegações finais no processo que apura o crime ocorrido há dois anos e meio. Com isso, o juiz Thiago Portes, da 1ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), avança para a fase decisiva que pode levar Bruno e Jeander da Silva Braga a julgamento pelo Tribunal do Júri, em data ainda a ser definida.
A defesa de Jeander, o Ministério Público e a assistência de acusação — que representa Marina Machado, mãe do ator — já protocolaram suas manifestações finais. Bruno, por sua vez, tentou adiar o andamento do caso ao apresentar uma série de pedidos de novas diligências técnicas e alegar a nulidade de provas. No entanto, o juiz rejeitou os requerimentos e considerou as solicitações como manobras protelatórias.
“Da leitura da peça apresentada pela Defesa, observa-se que as diligências requeridas se mostram evidentemente protelatórias”, escreveu o magistrado. Ele ressaltou que medidas como a quebra de sigilo de dados e outras provas periciais foram autorizadas legalmente e não há necessidade de reabertura da fase de instrução. Com isso, ordenou que os advogados apresentem suas alegações finais.
Bruno responde por uma série de crimes, incluindo:
- Homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, asfixia, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e para ocultar outro crime);
- Ocultação de cadáver (o corpo foi enterrado dentro de um baú concretado a dois metros de profundidade);
- Estelionato e crimes patrimoniais contra o espólio de Jeff (como saques bancários, tentativa de venda do carro e da casa, e uso do cartão de crédito);
- Invasão de dispositivo eletrônico (acesso às redes sociais da vítima após o assassinato);
- Falsa identidade (se passou por Jeff);
- Maus-tratos a animais.
Já Jeander Braga responde por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e maus-tratos a animais.
Em sua manifestação, o Ministério Público aponta que há provas suficientes de autoria, materialidade e dolo por parte dos dois acusados. Para a promotoria, Jeff foi dopado e morto por asfixia com fio de telefone durante uma relação sexual, sendo atacado de forma que não pôde se defender. O motivo do crime seria ocultar um golpe financeiro e obter vantagens patrimoniais.
O MP também afirma que o crime foi premeditado e que Bruno criou uma falsa narrativa sobre um suposto miliciano chamado “Marcelo”, que teria agido por vingança após uma suposta contaminação por HIV — versão considerada totalmente fictícia pelos investigadores.
A acusação, que representa a família de Jeff, também defende que os réus sejam pronunciados e julgados pelo Tribunal do Júri. A defesa de Jeander, por outro lado, alega que ele conheceu Jeff apenas no dia do crime e que Bruno foi o responsável exclusivo pelo homicídio, cabendo a Jeander apenas o papel de cúmplice na ocultação do corpo. Com base nisso, pediu a impronúncia de seu cliente.
Jefferson Machado Costa, conhecido como Jeff Machado, desapareceu no fim de janeiro de 2023. Seu corpo foi encontrado meses depois, concretado dentro de um baú enterrado em uma casa em Campo Grande, Zona Oeste do Rio. Para a polícia, a motivação do assassinato foi a cobrança de Jeff sobre uma vaga em uma novela prometida falsamente por Bruno, mediante pagamento de cerca de R$ 18 mil.
Natural de Araranguá (SC), Jeff tinha 44 anos, era ator, jornalista, produtor e stylist. Ele ficou conhecido nacionalmente por sua participação na novela Reis, da Record TV, onde interpretou um soldado filisteu. Também atuou em Santa Catarina como colunista social, cenógrafo e assessor de imprensa, além de realizar trabalho voluntário em eventos beneficentes.
Amante dos animais, o ator criava oito cães. O desaparecimento dele só veio à tona após seus pets serem encontrados abandonados — dois morreram e um segue desaparecido. A identificação dos animais, chipados com o nome do tutor, foi essencial para a polícia elucidar o crime.
Com as alegações finais da defesa de Bruno prestes a serem protocoladas, o caso caminha para uma definição sobre o julgamento dos acusados.





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