O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu líderes da base aliada e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em um jantar na Granja do Torto, em Brasília, com clima de distensão e recados políticos. Ao longo de cerca de três horas, o chefe do Executivo reforçou pedidos para destravar votações consideradas centrais para o governo.
Entre as prioridades apresentadas estão a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1, a regulação do trabalho por aplicativos e a criação de um marco legal para a exploração de minerais críticos. As pautas fazem parte do esforço do Planalto para organizar a agenda do Congresso no início do ano legislativo.
Em conversas reservadas, segundo líderes presentes, Lula também pediu rapidez na tramitação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que ainda precisa passar pela comissão temática antes de seguir ao plenário.
Clima político e gesto de reaproximação
O encontro teve caráter simbólico ao sinalizar a tentativa de reduzir ruídos recentes entre Executivo e Legislativo. Todos os partidos da base, inclusive legendas do Centrão, enviaram representantes, e o presidente da Câmara dividiu mesa com o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), sem registro de constrangimentos.
Mais cedo, havia tensão por causa da aprovação, no Congresso, da ampliação de gratificações vinculadas ao desempenho de servidores da Câmara e do Senado. No jantar, o tema ficou em segundo plano, e Lula optou por agradecer a condução de votações do ano passado, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Em discurso, o presidente disse esperar uma disputa eleitoral difícil, mas afirmou estar confiante no resultado. Também fez um afago público a Motta, em tom de parceria, ao dizer que “amigo não é só o que fica nos bons momentos”, segundo relatos de participantes.
Agenda econômica e recados internacionais
Além das pautas trabalhistas e do marco de minerais críticos, Lula mencionou a importância de acelerar o acordo Mercosul-UE, visto pelo governo como peça-chave para ampliar mercados e atrair investimentos. A avaliação no Planalto é que a sinalização política ajuda a destravar negociações no Congresso.
O presidente ainda citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao defender a soberania nacional e afirmar que o Brasil pode cooperar com Washington no combate ao crime organizado, mantendo a autonomia nas decisões.
A escolha da Granja do Torto, tradicionalmente usada para encontros reservados, reforçou a ideia de conversa fora da formalidade do Palácio do Planalto e de reconstrução do diálogo com a cúpula da Câmara.
Peixe, música e ministros à mesa
O cardápio teve pratos da culinária paraense, como bacon de pirarucu, além de cerveja, vinho, uísque e cachaça. Lula circulou entre os convidados e fez um discurso de tom emocional, após tocar a música “Eu venho lá do sertão”.
O encerramento ocorreu ao som do samba-enredo da Acadêmicos de Niterói que homenageia o presidente, gesto repetido em outros encontros recentes. Participaram, entre outros, os ministros Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Fernando Haddad (Fazenda), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).






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