O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, na noite desta quarta-feira (4), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes partidários para um jantar na Granja do Torto, em Brasília. O encontro, de caráter informal, teve como foco fortalecer a relação entre o Palácio do Planalto e a cúpula da Câmara em um ano considerado estratégico para o governo federal.
A iniciativa ocorre no momento em que o Executivo precisa avançar em propostas com forte apelo popular, como a regulamentação do trabalho por aplicativo, o fim da escala 6×1 e projetos ligados à segurança pública, incluindo a PEC da Segurança Pública e o Projeto de Lei Antifacção. Essas pautas são vistas como centrais para a agenda política do governo e para o cenário eleitoral.
O jantar foi articulado pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e contou com a presença de ministros e líderes da base governista, além de parlamentares do centrão. A avaliação no Planalto é de que o encontro ajuda a reduzir ruídos e a reabrir canais de diálogo após um período de instabilidade na relação entre Executivo e Legislativo.
Entre os ministros presentes estavam Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Comunicação Social), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral). Também participou Olavo Noleto, atual presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, que deve assumir papel central na articulação política do governo.
Do lado do Congresso, compareceram líderes como José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara; Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado; Pedro Uczai (PT-SC), líder do PT; Isnaldo Bulhões (MDB-AL), líder do MDB; e Pedro Lucas Fernandes (União-MA), líder do União Brasil. Parlamentares do PSD, União Brasil, Solidariedade e outros partidos do centrão também participaram.
O encontro ganhou ainda mais relevância após o mal-estar entre Planalto e Câmara envolvendo a votação acelerada de um projeto que permite remunerações acima do teto constitucional para servidores do Legislativo. Enquanto o governo afirma que não participou das tratativas, Hugo Motta sustenta que houve conhecimento prévio do líder governista. A presença de Guimarães e Gleisi no jantar foi vista como uma tentativa de “acalmar os ânimos” e evitar que o episódio afete votações futuras.
Interlocutores do governo avaliam que 2026 tende a ser um ano mais previsível na relação com o Congresso, com parlamentares focados nas eleições e menos dispostos a criar novos conflitos. O cronograma de pagamento das emendas parlamentares, definido no fim do ano passado, também é apontado como fator de estabilidade.
Inicialmente, o Planalto cogitou incluir senadores no encontro, mas a baixa presença em Brasília após o recesso adiou a ideia. Um novo jantar, com participação mais ampla do Senado, deve ocorrer após o carnaval.






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