O primeiro dia de operação obrigatória do Jaé, novo sistema de bilhetagem eletrônica do Rio de Janeiro, teve início neste sábado (2) com resultados mistos. Enquanto a integração entre ônibus e metrô funcionou corretamente em linhas específicas da Zona Sul, usuários enfrentaram dificuldades com gratuidades, cartões incompatíveis e cobrança duplicada em alguns trajetos.
Em Botafogo, onde linhas como 309, 538 e 548 agora fazem parte da integração com o metrô, passageiros relataram experiência positiva, pagando apenas R$ 7,90 pela combinação entre os modais. O casal Lucas Moura e Willyane da Silva, turistas do Rio Grande do Norte, elogiou a praticidade do Jaé digital feito pelo aplicativo: “Já usamos no metrô e vamos testar no VLT também”, contou Lucas.
Entretanto, outros usuários não tiveram a mesma sorte. Estudantes e idosos reclamaram que cartões com direito à gratuidade não foram reconhecidos nas catracas do metrô. Manuela Firmino, de 17 anos, teve que pagar do próprio bolso após seu cartão laranja ser recusado. Já a cozinheira Jussara Medeiros, de 66 anos, precisou mostrar identidade aos funcionários do metrô, pois o validador não reconheceu seu cartão Jaé.
A manicure Jocélia Soares também foi prejudicada: utilizou o app para integrar ônibus e metrô, mas foi tarifada duas vezes, sem desconto. “Com o Riocard pagava mais barato. Agora meu saldo foi embora”, reclamou.
Segundo a Prefeitura, a transição está em curso e ajustes devem ser feitos nos próximos dias. “É um processo que envolve três milhões de pessoas. Natural que tenhamos instabilidades no início”, afirmou o vice-prefeito Eduardo Cavalieri durante apresentação do Plano Estratégico 2025-2028.
O balanço oficial do primeiro dia mostrou aumento expressivo no uso do Jaé: 1 milhão de embarques até as 17h30 — quase o dobro do sábado anterior. Foram emitidos 10.600 cartões avulsos e a recarga no aplicativo chegou a R$ 145 milhões.
Apesar dos avanços, a integração tarifária ainda não cobre todos os trajetos, o que gera distorções. Moradores do Rio que usam duas conduções municipais podem pagar mais do que passageiros intermunicipais beneficiados com o Bilhete Único. A prefeitura promete correções nos próximos dias e recomenda que usuários se informem sobre o tipo de cartão mais adequado.
A meta é que, até o fim do mês, a experiência com o Jaé seja mais estável e abrangente. Até lá, a recomendação é paciência — e atenção redobrada com os validadores.
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