Itamaraty acusa Milei de ingerência após críticas às urnas brasileiras

Em nota, o governo brasileiro defendeu a segurança do sistema eletrônico de votação e afirmou que a escolha do presidente cabe exclusivamente aos eleitores do país

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O Ministério das Relações Exteriores reagiu nesta terça-feira (20) a declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o Poder Judiciário brasileiro e o sistema eletrônico de votação. Em nota oficial, o Itamaraty classificou as manifestações como uma tentativa de interferência no processo democrático do Brasil, a cinco dias do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25).

“As ofensas de hoje do Presidente da República Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”, afirmou o ministério.

O comunicado também relacionou as declarações de Milei à circulação de acusações contra o sistema eleitoral brasileiro por grupos que, segundo a nota, não aceitaram o resultado da eleição presidencial de 2022. O Itamaraty considerou que esse tipo de manifestação não condiz com as responsabilidades de um chefe de Estado, sobretudo em relação a um país com o qual a Argentina mantém relações diplomáticas.

Governo defende segurança das urnas

Na nota, o governo brasileiro rejeitou os questionamentos às urnas eletrônicas e afirmou que a confiabilidade do sistema foi acompanhada por observadores internacionais durante o primeiro turno. Segundo o Itamaraty, representantes estrangeiros que participaram da observação eleitoral reconheceram a segurança do processo.

“O sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições”, declarou o ministério.

O comunicado também acusou Milei de repetir alegações que, conforme o texto, foram difundidas por pessoas derrotadas nas eleições e associadas a uma tentativa de golpe militar fracassada. O Itamaraty classificou a manifestação como “inaceitável” e “desequilibrada”.

Segundo turno ocorre no domingo

A resposta diplomática foi divulgada na reta final da disputa presidencial. Os eleitores brasileiros voltarão às urnas em 25 de outubro para escolher o próximo presidente da República.

Ao encerrar a nota, o Itamaraty afirmou que a decisão sobre o futuro do país pertence aos cidadãos brasileiros e rejeitou qualquer influência estrangeira no pleito. “A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25”, concluiu o comunicado.

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