Após meses de intensos confrontos, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou a proposta de um cessar-fogo no Líbano, mediado pelos Estados Unidos e França. A trégua, com duração de 60 dias, exigiria que as forças israelenses se retirassem da região sul do Líbano, enquanto o Hezbollah deveria recuar para o norte do rio Litani, permitindo ao Exército Libanês preencher o vazio.
Contudo, diversas questões sobre a implementação permanecem sem resposta, como a viabilidade de o Exército Libanês impor autoridade sobre o Hezbollah, uma organização politicamente poderosa que não obedece ao governo libanês.
O acordo também enfrenta desafios políticos, uma vez que o Hezbollah não faz parte do governo libanês, o que dificulta seu compromisso formal com a trégua. Além disso, o líder do grupo, Naim Qassem, indicou que aceitaria a pausa nos combates somente se Israel interrompesse seus ataques ao Líbano.
Netanyahu diz que Hezbollah está enfraquecido
A mídia também destaca a falta de confiança nas partes envolvidas. Enquanto Netanyahu afirmou que o Hezbollah foi significativamente enfraquecido, incluindo a destruição de muitos de seus mísseis e a morte de milhares de combatentes, muitos críticos apontam que as promessas de cessar-fogo podem ser difíceis de cumprir, dado o histórico de violações anteriores de ambos os lados.
A resolução proposta é baseada na Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que havia encerrado a guerra entre Israel e Hezbollah em 2006, estipulando o fim das hostilidades e a soberania do governo libanês sobre sua região sul. No entanto, a implementação desta resolução já havia sido comprometida, com o Hezbollah mantendo sua presença militar nas fronteiras e Israel realizando incursões aéreas frequentes.
Para muitos, o novo cessar-fogo, embora positivo, pode não ser suficiente para uma paz duradoura, já que o Hezbollah continua a se rearmar e a desafiar a autoridade do governo libanês.
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, descreveu o acordo como um “esforço diplomático intenso” e indicou que a medida poderia diminuir as tensões e até ajudar a desescalar o conflito em Gaza. No entanto, a implementação do cessar-fogo dependerá da colaboração entre os mediadores internacionais, o governo libanês e, especialmente, do controle sobre o Hezbollah, um grupo que há muito tempo desafia a soberania do Líbano.
Com informações de O Globo





