O Exército de Israel anunciou neste domingo (19) o início de “extensas operações terrestres” no norte e no sul da Faixa de Gaza, intensificando sua campanha militar genocida na região em meio ao colapso das negociações por um cessar-fogo. O anúncio foi feito após uma noite de bombardeios que, segundo autoridades de saúde palestinas, mataram ao menos 130 pessoas no enclave.
As ações fazem parte de uma nova fase da ofensiva, batizada de “Carruagens de Gideão”, que contou com uma série de ataques aéreos e terrestres ao longo da última semana.
A escalada ocorre paralelamente ao esgotamento de mais uma rodada de negociações indiretas entre Israel e o grupo militante Hamas, mediada por autoridades do Catar e com apoio do Egito e dos Estados Unidos. As conversas, realizadas em Doha, terminaram sem avanços concretos, segundo fontes ligadas aos dois lados.
Condições rejeitadas e impasse diplomático
O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou que as tratativas recentes incluíram a possibilidade de uma trégua temporária, a libertação de reféns israelenses ainda em poder do Hamas e uma proposta mais ampla de encerramento do conflito. Esta última envolvia o exílio de membros do Hamas e a desmilitarização da Faixa de Gaza — condições já recusadas pelo grupo palestino em ocasiões anteriores.
De acordo com um alto funcionário do governo israelense, não houve progresso significativo nas discussões. Do lado palestino, um representante do Hamas reiterou à agência Reuters que “a posição de Israel permanece inalterada: eles querem libertar os prisioneiros (reféns) sem um compromisso de encerrar a guerra”.
O Hamas insiste que a libertação de reféns deve ocorrer apenas como parte de um acordo mais amplo que inclua o fim completo das hostilidades, a retirada total das tropas israelenses de Gaza, o fim do bloqueio humanitário ao território e a libertação de prisioneiros palestinos.
Cenário devastador em Gaza
Enquanto o impasse diplomático persiste, a situação humanitária na Faixa de Gaza continua a se deteriorar. A campanha militar israelense, iniciada após os ataques de 7 de outubro de 2023, que deixaram cerca de 1.200 mortos e resultaram no sequestro de aproximadamente 250 israelenses —, já devastou grande parte do território palestino.
Segundo as autoridades de saúde de Gaza, mais de 53 mil pessoas morreram desde o início do conflito. Entre as vítimas, estão milhares de mulheres e crianças. A infraestrutura da região está em colapso, com hospitais destruídos, escassez de alimentos, água potável e energia, além de milhões de deslocados internos.





