Irã rejeita solução de dois Estados e rompe consenso do Brics sobre Palestina

Chanceler iraniano diz que modelo defendido na declaração final “não chegou a lugar nenhum”

O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, rejeitou publicamente a proposta de solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino, incluída na declaração final da 17ª Cúpula do Brics, realizada neste domingo (6), no Rio de Janeiro. Em mensagem publicada em seu canal oficial no Telegram, Araghchi anunciou que o país registrará sua divergência por meio de uma nota diplomática separada.

O texto aprovado pelos líderes do Brics expressa apoio “à adesão plena do Estado da Palestina às Nações Unidas no contexto do compromisso inabalável com a Solução de Dois Estados, em conformidade com o direito internacional”. A posição foi endossada por quase todos os membros do grupo, mas não contou com o respaldo iraniano.

“A solução de dois Estados, que vem sendo repetida há anos, não chegou a lugar nenhum”, afirmou o ministro. “Está claro para todos que o próprio regime israelense é o maior obstáculo para sua concretização”, acrescentou Araghchi.

Segundo o chanceler, a República Islâmica do Irã “expressa reservas sobre a ideia de dois Estados” e formalizará essa discordância com o envio de uma nota oficial.

Fricções internas

O Irã tornou-se membro pleno do Brics em 2023, na primeira rodada de ampliação do bloco. Desde então, sua entrada tem exposto divergências ideológicas e diplomáticas com outros integrantes, especialmente em temas relacionados ao Oriente Médio.

Durante as negociações da cúpula no Rio, diplomatas iranianos já haviam pressionado por termos mais duros contra Israel e os Estados Unidos, após ataques a alvos militares e instalações nucleares em território iraniano.

Embora a nota conjunta divulgada pelo Brics em 24 de junho tenha expressado apenas “profunda preocupação”, a declaração final deste domingo foi além. O documento condenou explicitamente “os ataques militares contra a República Islâmica do Irã desde 13 de junho de 2025”, classificando-os como violações do direito internacional e da Carta da ONU.

A rejeição iraniana à fórmula de dois Estados marca uma rara quebra de consenso nas declarações conjuntas do Brics e reflete os desafios da nova configuração ampliada do grupo.

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