Em discurso na cúpula do Brics, realizada em Kazan, Rússia, nesta quinta-feira (24), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, criticou a omissão de muitos países diante da situação na Faixa de Gaza. “Os que se arrogam defensores dos direitos humanos fecham os olhos diante da maior atrocidade da história recente”, afirmou. Ele elogiou a postura de países do Sul Global que apoiaram a resolução da Assembleia Geral da ONU pedindo a cessação das hostilidades.
Vieira considerou a situação em Gaza um genocídio e afirmou que isso prejudicou a credibilidade do Conselho de Segurança da ONU e o direito humanitário internacional. Ele reiterou que “não haverá paz sem um Estado palestino independente”, solução rejeitada pelo governo israelense. “A decisão sobre sua existência foi tomada há 75 anos pelas Nações Unidas. Mas a mesma ONU que criou o Estado de Israel hoje se vê de mãos atadas”, lamentou.
Ministro critica “punição coletiva ao povo palestino”
Embora tenha condenado os atos terroristas do Hamas, Vieira afirmou que a resposta de Israel é uma “punição coletiva ao povo palestino”. Ele citou dados alarmantes sobre o bombardeio a Gaza, comparando a quantidade de explosivos lançados àquela usada em cidades europeias durante a Segunda Guerra Mundial.
O chanceler também criticou o embargo econômico dos EUA a Cuba, afirmando que as sanções unilaterais violam o direito internacional e prejudicam a população. “Renovamos nossa solidariedade com o povo cubano e fazemos um apelo para que sejam imediatamente flexibilizadas essas medidas”, destacou.
Sobre a guerra na Ucrânia, Vieira mencionou a criação do grupo Amigos da Paz, uma iniciativa conjunta entre Brasil e China para buscar uma solução duradoura, ressaltando a importância do respeito ao direito internacional e o papel das Nações Unidas. O ministro finalizou seu discurso defendendo a reforma da ONU, sugerindo a convocação de uma Conferência Geral para revisar a carta da organização, conforme previsto no artigo 109.
Com informações da Agência Brasil





