Indiciados por furto em apart-hotel já tiveram cargos na Câmara e também na Alerj

Dupla acusada de roubar relógios de luxo em apart-hotel de Niterói já ocupou cargos estratégicos na política do Rio e manteve laços com os irmãos Amorim

Um furto com enredo digno de cinema, envolvendo máscaras realistas, ternos e uma fuga precisa em apenas 16 minutos, revelou conexões inesperadas com os bastidores da política fluminense. Segundo reportagem do O Globo, os dois homens indiciados na última terça-feira (14), pela Polícia Civil do Rio, na Operação Manto de Engano, ocuparam cargos estratégicos na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Luís Maurício Martins Gualda, advogado e ex-assessor parlamentar no gabinete do vereador Rogério Amorim (PL), foi identificado pelas câmeras de segurança deixando um apart-hotel de Niterói com oito relógios de luxo avaliados em R$ 80 mil. Disfarçado com uma máscara de silicone realista, ele teria executado o furto enquanto Alexandre Ceotto André, ex-subsecretário estadual de Relações Institucionais e ex-diretor da Fundação Rio Metrópole, teria arquitetado todo o plano.

Gualda confessou o crime e foi exonerado imediatamente do cargo, onde recebia salário líquido de R$ 15,8 mil. O vereador Rogério Amorim afirmou, em nota, que “a conduta criminosa dele é inadmissível e não pode ser tolerada em hipótese alguma”. Além de sua atuação no gabinete, Gualda também é sócio de uma empresa de investimentos em criptomoedas e doou R$ 8 mil à campanha do deputado estadual Rodrigo Amorim (União), irmão de Rogério.

Já Ceotto, considerado pela polícia o mentor do crime, está foragido. Com um histórico de atuação em cargos públicos desde o governo Wilson Witzel, ele também trabalhou no gabinete de Rodrigo Amorim na Alerj e chegou a doar R$ 10 mil à campanha de reeleição do parlamentar em 2022. Mesmo com esse passado, Amorim rompeu publicamente com o ex-assessor: “Não tenho mais nenhum contato com este indivíduo. Meu desejo é que ele apodreça na cadeia ou no cemitério”.

O caso segue sob investigação da 76ª DP (Niterói), que apura os detalhes do arrombamento no Hotel Orizzonte by Atlântica, no bairro de Gragoatá. Segundo o depoimento de Gualda, a dupla pretendia dividir os lucros com a venda dos relógios furtados. Procurados pela reportagem, os dois indiciados não se manifestaram. A Rio Metrópole também não comentou o caso.

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