Um incêndio de grandes proporções atinge na tarde desta quarta-feira (22) um galpão na Via Binário do Porto, no bairro do Santo Cristo, região portuária do Rio de Janeiro. O local é utilizado por escolas de samba da Série Ouro, o grupo de acesso do carnaval carioca.
O barracão da Inocentes de Belford Roxo foi um dos mais atingidos pelas chamas, e há suspeita de que o fogo tenha se espalhado para estruturas vizinhas ocupadas por outras agremiações.
Bombeiros mobilizados e correria para salvar alegorias
De acordo com o Corpo de Bombeiros, mais de 40 militares de seis quartéis foram mobilizados para conter o incêndio, utilizando 13 viaturas. Até o momento, não há informações sobre feridos. Trabalhadores e artesãos das escolas tentaram salvar fantasias, esculturas e estruturas de carros alegóricos que já estavam em produção para o Carnaval de 2026.
“É uma dor ver tudo isso sendo destruído. A gente vive o ano inteiro pra colocar o carnaval na avenida”, lamentou ao GLobo um funcionário que atuava no local. O clima era de desespero entre os integrantes das escolas que dividem o espaço, como Em Cima da Hora, Vigário Geral e Acadêmicos do Jacarezinho.
Tragédias que se repetem
O incêndio no Santo Cristo reacende o debate sobre a precariedade dos barracões usados por escolas da Série Ouro e o risco constante a que artistas e profissionais do carnaval estão expostos. Nos últimos anos, acidentes semelhantes já destruíram alegorias e fantasias em outros galpões improvisados, causando prejuízos milionários e atrasos nas montagens de desfile.
A Liga RJ, que organiza os desfiles da Série Ouro, ainda não se manifestou oficialmente, mas fontes ligadas às escolas afirmam que o prejuízo será expressivo.
Projeto Fábrica do Samba promete infraestrutura moderna
O prefeito Eduardo Paes (PSD) havia anunciado a criação da Fábrica do Samba, prevista para abrigar as escolas da Série Ouro até o Carnaval de 2027. O complexo será construído em um terreno ao lado da antiga estação da Leopoldina, e contará com 14 barracões, além de áreas de lazer e eventos.
O projeto será acompanhado pelo Corpo de Bombeiros, responsável por aprovar os sistemas de segurança e combate a incêndios. A prefeitura promete entregar as instalações de forma gradual, atendendo a uma antiga reivindicação dos sambistas por espaços adequados para a criação de alegorias e fantasias.
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Esperança e incerteza
Enquanto aguardam a nova estrutura, as escolas afetadas pelo incêndio tentam contabilizar perdas e reorganizar o trabalho. Com o Carnaval de 2026 já em andamento, o desafio será reconstruir, em tempo recorde, parte do material destruído.
A causa do incêndio ainda está sendo investigada pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Civil.






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