A prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos Estados Unidos ganhou ampla repercussão fora do Brasil e passou a ser destaque em veículos de imprensa internacionais. O caso foi noticiado por jornais de diferentes países, que ressaltaram tanto a operação de captura quanto os antecedentes que levaram à condenação do ex-parlamentar.
A detenção ocorreu por agentes do ICE, e o nome de Ramagem passou a constar sob custódia do órgão, conforme registros oficiais.
Destaque em jornais dos Estados Unidos
O jornal The Washington Post informou que a prisão marcou o encerramento de uma operação que se estendeu por meses. Segundo o veículo, a ação “encerrou uma busca internacional que durou seis meses e se estendeu por dois continentes”.
A publicação também relembrou a condenação do ex-deputado pelo Supremo Tribunal Federal, destacando que ele foi responsabilizado por participação em uma conspiração para reverter o resultado das eleições no Brasil.

Relatos sobre fuga e permanência no exterior
Já o jornal britânico The Guardian enfatizou que Ramagem deixou o Brasil pouco antes da condenação. O veículo relatou que ele teria fugido dias antes da decisão judicial e seguido para os Estados Unidos, onde permaneceu desde então.
“Quando o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi condenado a quase 30 anos de prisão por uma tentativa de golpe, outros seis membros de seu gabinete também foram considerados culpados e começaram a cumprir suas penas – com exceção de um. Dias antes do veredicto, Alexandre Ramagem, ex-chefe da espionagem de Bolsonaro, fugiu de carro para a Guiana e embarcou em um voo para os Estados Unidos, onde permanece desde então”, publicou o jornal.
Ainda segundo o periódico, Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão após o STF concluir que ele utilizou a estrutura da inteligência estatal para monitorar adversários políticos.
Cobertura europeia amplia contexto político
O francês Le Monde também abordou o episódio, associando o caso ao contexto político brasileiro e à condenação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eles foram considerados culpados de conspirar para manter Bolsonaro no poder, apesar de sua derrota para o atual presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, nas eleições de 2022. Alexandre Ramagem, um aliado de confiança de Jair Bolsonaro, chefiou a Abin durante o governo do (então) presidente, de julho de 2019 a março de 2022”, destacou o veículo.
Cooperação internacional e investigação
No Brasil, a Polícia Federal informou que a prisão ocorreu a partir de cooperação com autoridades norte-americanas. Em nota, a corporação afirmou que Ramagem era considerado foragido da Justiça brasileira após a condenação.
“A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA. O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito”, informou.
Versão de aliados sobre a detenção
Apesar das informações oficiais, aliados do ex-deputado apresentaram outra versão sobre o episódio. O blogueiro Paulo Figueiredo afirmou que a detenção teria começado após uma abordagem por “infração leve de trânsito”, seguida do encaminhamento ao ICE.
Segundo ele, a situação seria de natureza “meramente imigratória” e o ex-parlamentar teria um pedido de asilo em análise, o que permitiria sua permanência legal no país até decisão final. Figueiredo também declarou que não vê “risco de deportação” no momento e negou relação entre a prisão e um eventual pedido de extradição.
Histórico e cassação do mandato
A trajetória recente de Ramagem também foi lembrada na cobertura internacional. Condenado no Brasil a 16 anos de prisão, ele perdeu o mandato parlamentar após decisão administrativa da Câmara dos Deputados.
O caso segue com desdobramentos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, com impacto político e jurídico que ultrapassa as fronteiras nacionais.






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