Fuga de Ramagem incluiu passagem pela Guiana antes de chegada aos EUA

PF descobriu rota usada pelo ex-deputado semanas após condenação no julgamento da trama golpista

A Polícia Federal reconstruiu o caminho percorrido por Alexandre Ramagem até sair do Brasil e chegar aos Estados Unidos após ter sua prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. As informações sobre a rota só vieram à tona semanas depois da fuga, descoberta pelos investigadores três semanas atrás, durante um levantamento sobre a localização dos condenados no núcleo crucial da trama golpista, informa Malu Gaspar, em O Globo.

De acordo com fontes ligadas à investigação, Ramagem deixou o país passando por Roraima. Ele cruzou a fronteira por Bonfim, município que se conecta por terra a Lethem, na Guiana, região separada do território vizinho apenas por um rio. A partir dali, iniciou o trajeto que o levou para fora do Brasil em meio ao julgamento que condenou aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Chegada a Boa Vista e travessia para a Guiana

Segundo a PF, Ramagem chegou a Boa Vista no fim da noite de 9 de setembro, mesmo dia em que Moraes apresentou o voto pela condenação dos oito réus do núcleo central da tentativa de golpe. Já na manhã seguinte, ele estava em território guianense, onde permaneceu até seguir viagem para os Estados Unidos.

A investigação aponta que, no dia 11 de setembro, o ex-diretor-geral da Abin embarcou em um voo direto para Miami, na Flórida. Ele utilizou o passaporte diplomático de parlamentar para entrar no país e permanece nos EUA acompanhado da mulher e das filhas.

Descoberta tardia e cassação determinada pelo STF

Embora a fuga tenha ocorrido há mais de dois meses, a PF só detectou a saída irregular quando iniciou a checagem da localização dos condenados. O procedimento fez parte da etapa final do julgamento, que também atingiu nomes como Jair Bolsonaro, os generais Augusto Heleno, Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira, o almirante Almir Garnier e o ex-ministro Anderson Torres. O cruzamento de dados mostrou que Ramagem já não estava no Brasil e dificilmente retornaria, o que se confirmou.

Na decisão em que decretou o trânsito em julgado do processo, nesta terça-feira, Moraes determinou a cassação do mandato do ex-parlamentar e a perda dos direitos políticos. Condenado a 16 anos de prisão, Ramagem também teve o salário cortado e perdeu seu cargo de delegado da Polícia Federal, encerrando formalmente sua trajetória no serviço público.

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