Imagens das câmeras corporais mostram agentes do Batalhão de Choque da Polícia Militar desviando um fuzil durante a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro.
O material deu início a uma investigação da Corregedoria que já prendeu cinco dos dez militares investigados. Além da arma, os agentes ainda furtaram peças de um carro. Seis deles foram denunciados pelo Ministério Público do Rio (MPRJ).
Assista:
Fuzil desviado
Em um dos registros, o sargento Marcos Vinícius Ferrera Silva Vieira aparece dentro de uma casa onde cerca de 25 suspeitos já haviam se rendido.
Lá, ele encontra um fuzil AK-47 com cabo de madeira. O militar e outro sargento, Charles William Gomes dos Santos, guardam o armamento dentro de uma mochila e tentam fechá-la rapidamente.
“Fecha de qualquer jeito”, diz um sargento.
Segundo o MPRJ, a prática caracteriza peculato, já que o agente público se apropria de um bem que deveria ser apresentado para perícia.
Carro tem peças furtadas
Em outros trechos analisados pela Corregedoria, policiais aparecem retirando capas de retrovisor, tampa do motor e o farol de uma caminhonete Fiat Toro, que pertencia a um morador não envolvido na operação.
As investigações apontam que o subtenente Marcelo Luiz do Amaral autorizou o sargento Eduardo de Oliveira Coutinho a desmontar o veículo.
Coutinho diz: “Tem uma pecinha aqui que eu preciso”. O comando é explícito: “A hora é essa!”, responde o superior.
De acordo com o documento, o veículo pertencia a um morador de São Paulo que não tinha qualquer ligação com o confronto. Da caminhonete foram retirados a tampa do motor, parte do farol dianteiro e capas dos retrovisores.
“Deixa eu dar uma olhada nessa Toro aqui. Tô precisando bem de um farol”, diz o sargento.
Obstrução de visão
Além das denúncias de peculato e furto, há indícios de que diversos policiais obstruíram deliberadamente o campo de visão das câmeras corporais, apagando ou bloqueando imagens quando pretendiam agir sem registro.
Segundo o Ministério Público, isso motivou também a acusação por recusa de obediência.
Presos
Ao todo, dez PMs foram alvos da ação na última sexta-feira (28), comandada pela Corregedoria. Além das prisões, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão.
Entre os presos estão o subtenente Marcelo Luiz do Amaral e os sargentos Eduardo Oliveira Coutinho e Diogo da Silva Souza.
“O comando da corporação reitera que não compactua com possíveis desvios de conduta ou cometimento de crimes praticados por seus entes, punindo com rigor os envolvidos quando constatados os fatos”, diz a nota da PM.
Denúncia do MPRJ
O Ministério Público do Rio denunciou seis policiais militares do Batalhão de Choque por crimes de peculato e furto qualificado.
A 1ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria Militar denunciou os 3º sargentos Marcos Vinicius e Charles William pelo desvio do fuzil.
Em outra frente de investigação, a 2ª Promotoria denunciou o subtenente Marcelo Luiz do Amaral, o sargento Eduardo de Oliveira Coutinho e outros dois PMs por furtar peças de uma Fiat Toro estacionada na comunidade.
Segundo o inquérito, Coutinho retirou o tampão do motor, um farol e as capas dos retrovisores, enquanto Amaral e outro policial garantiram condições para o furto. O quarto agente, identificado como Machado, estava presente, mas se omitiu.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos citados. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Relembre o caso
A megaoperação, que mobilizou equipes das polícias Civil e Militar, resultou em 122 mortes, entre elas, cinco policiais.
O governo estadual afirma que os outros 117 mortos eram integrantes do crime organizado. Mais de 90 fuzis foram apreendidos.
A ação tinha como objetivo garantir o cumprimento de 100 mandados de prisão de pessoas ligadas ao crime organizado. Entre elas, Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como o líder do Comando Vermelho na região.






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