Um vídeo divulgado nesta terça-feira (16) mostra o momento em que o ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, de 63 anos, foi executado a tiros na Praia Grande, litoral paulista. Fontes foi morto na segunda-feira (15), em uma ação que a polícia classifica como execução planejada. O carro em que ele estava foi atingido por mais de 20 disparos de fuzil, após perseguição que terminou em colisão com um ônibus.
Execução brutal e fuga organizada
As imagens captadas por câmeras de segurança revelam a violência da ação: três homens descem de uma caminhonete Toyota Hilux e disparam contra o veículo do ex-delegado, enquanto um quarto suspeito permanece ao volante. Após a execução, os criminosos incendiaram a Hilux, roubada na capital paulista, numa tentativa de eliminar vestígios. Um Jeep Renegade também foi usado na emboscada.
Além de Fontes, outras duas pessoas ficaram feridas e foram socorridas sem risco de morte. A ação, segundo a polícia, foi meticulosamente organizada.
Linhas de investigação
O caso está sendo apurado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais). A Polícia Federal e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público também se colocaram à disposição para colaborar.
Entre as principais hipóteses, está a vingança de facções criminosas, sobretudo do Primeiro Comando da Capital (PCC), contra quem Ruy Ferraz Fontes atuou de forma incisiva. Nos anos 2000, ele foi responsável por mapear a estrutura da organização e indiciou toda a cúpula da facção, incluindo o líder Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Há ainda a suspeita de que a execução tenha sido obra da “Sintonia Restrita”, grupo de pistoleiros ligado ao PCC.
Outra linha investigativa avalia se o crime pode ter relação com a atuação de Fontes na Prefeitura de Praia Grande, onde ocupava o cargo de secretário de Administração desde janeiro de 2023.
Histórico de ameaças
Fontes tinha mais de quatro décadas de carreira na Polícia Civil, passando por cargos de destaque como delegado-geral, diretor do Decap e funções no Deic, Denarc e DHPP. Ao longo dos anos, acumulou inimigos poderosos no crime organizado. O ex-delegado já havia sido alvo de atentados e assaltos em 2010, 2012, 2020 e 2022. Em dezembro de 2023, após ser vítima de um assalto, declarou temer pela própria vida e a de seus familiares: “Eu combati esses caras durante tantos anos e agora os bandidos sabem onde moro”.
Reação oficial
O governador Tarcísio de Freitas e o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, condenaram o crime e prometeram rigor na investigação. “Os responsáveis serão identificados e punidos com todo o peso da lei”, afirmou Derrite. Segundo o secretário, dois suspeitos já foram presos.






Deixe um comentário