A Polícia Civil de São Paulo conseguiu identificar dois suspeitos de participar do assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, executado na noite de segunda-feira (15) em Praia Grande, no litoral paulista. A informação foi confirmada pelo secretário da Segurança Pública do estado, Guilherme Derrite.
Segundo Derrite, um dos homens identificados possui antecedentes por roubo e tráfico de drogas. “É um indivíduo que já foi preso duas vezes por roubo e uma por tráfico de drogas. Não posso falar mais para não prejudicar as investigações”, afirmou o secretário, acrescentando que a prisão preventiva já foi pedida à Justiça. O chefe da pasta também destacou que não há, até o momento, confirmação de ligação direta do suspeito com o Primeiro Comando da Capital (PCC), mas que essa hipótese segue sob análise.
Material genético e possíveis motivações
A identificação só foi possível, de acordo com Derrite, porque a polícia encontrou material genético no segundo veículo usado pelos criminosos na emboscada. O secretário ressaltou que “todas as hipóteses estão sendo consideradas” e não descartou a participação de facções criminosas ou motivações políticas, já que Ferraz Fontes exercia o cargo de secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande.
“Temos várias hipóteses. Não podemos descartar o envolvimento do crime organizado. Ele era conhecido por sua carreira. Não podemos descartar a atuação dele como secretário de Praia Grande. Todos que participaram deste atentado terrorista — foi isso que aconteceu — serão punidos”, declarou Derrite.
Histórico de combate ao PCC
A força-tarefa criada para investigar o caso apura se há ligação do crime com um líder do PCC que deixou um presídio federal há um mês. Fontes era um dos principais nomes da Polícia Civil no combate à facção criminosa: em 2006, foi responsável por indiciar toda a cúpula do grupo, incluindo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Quando Marcola foi transferido para um presídio federal em 2019, Ferraz Fontes ocupava o cargo de delegado-geral da Polícia Civil, função que exerceu até 2022. Investigadores também levantam a possibilidade de que a execução esteja ligada a uma licitação municipal que teria afetado interesses de organizações criminosas.
Execução planejada
De acordo com as investigações, Fontes foi perseguido após sair da prefeitura e acabou colidindo contra um ônibus ao tentar escapar. Testemunhas relataram que três criminosos fortemente armados desceram de um carro para atirar contra o ex-delegado, enquanto outro dava cobertura de dentro do veículo.
O carro utilizado por Fontes, um Fiat Argo preto, não era blindado. Já um dos automóveis da quadrilha foi encontrado queimado após o crime. Durante o ataque, uma mulher e uma criança também ficaram feridas. “Foram muitos tiros”, disse uma testemunha da família dessas vítimas.
Velório e sepultamento
O velório do ex-delegado ocorreu na manhã desta terça-feira (16) na Assembleia Legislativa de São Paulo. O enterro foi marcado para o Cemitério da Paz, no Morumbi, zona sul da capital, às 16h.
Tentativas anteriores e ameaças
O assassinato de Ruy Ferraz Fontes ocorre após uma série de episódios de violência que ele já havia enfrentado. Em 2023, sofreu um assalto em que teve bens roubados e chegou a relatar ao Estadão o medo de ser alvo de represálias por parte do PCC: “Combati esses caras durante tantos anos e agora os bandidos sabem onde moro. Minha família, agora, quer que eu deixe o emprego em Praia Grande e saia de São Paulo”.
Além disso, entre 2012 e 2022, o ex-delegado sofreu ao menos três outros ataques, incluindo emboscadas e tentativas de assalto, o que reforça a linha de investigação de que sua execução foi premeditada e possivelmente ligada ao histórico de enfrentamento ao crime organizado.






Deixe um comentário