A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (18), uma operação em Cabo Frio, na Região dos Lagos, contra um grupo criminoso responsável por invadir plataformas informatizadas do Tribunal de Justiça para remover mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho (CV). A ação beneficiava membros da facção criminosa no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
Os “hackers do CV” acusados de fazer a manipulação criminosa de dados públicos cobravam R$ 3 mil pelo serviço, de acordo com as investigações. Três pessoas foram presas pela “Operação Firewall” desencadeada pela 126ª DP (Cabo Frio), que cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão com o apoio da PM do Rio e da Polícia Civil de MG.
A investigação teve início há cinco meses, quando investigadores identificaram o esquema operado por hackers, que ofereciam o serviço para beneficiar criminosos ligados ao CV. O esquema também ocultava medidas cautelares, multas e débitos de IPVA.
Segundo as investigações, os hackers usavam VPN com senha dos servidores do Judiciário para acessar o sistema do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP). Como não era possível apagar os mandados, eles alteravam os dados que permitiam a localização da ordem judicial, segundo a Polícia Civil. Dessa forma, quando policiais consultavam o sistema pelo nome correto, o mandado não era identificado.
Como o esquema funcionava
Segundo a investigação, a quadrilha ameaçava emitir outra série de mandados de prisão contra membros do CV se não fossem remunerados. Para desmantelar o esquema, a Polícia Civil identificou os responsáveis pela divulgação de anúncios nas redes sociais.
Em seguida, passou a seguir o fluxo financeiro para chegar aos demais envolvidos. Com isso, agentes constataram que a namorada de um desses homens cedia a sua conta bancária para a movimentação do valor arrecadado de forma criminosa. Assim, foi detectado um intercâmbio financeiro com outros criminosos de Minas Gerais.
Conforme os agentes, o líder do esquema já trabalhou em empresas de certificados digitais e conseguiu “apagar” um mandado de prisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro. Ele já havia sido preso por agentes da 36ª DP (Santa Cruz) em setembro deste ano por violação do segredo profissional, associação criminosa e estelionato.
Enquanto o criminoso trabalhava nessa empresa de certificados digitais, ele realizava a quebra de autenticação em duas etapas, decodificação de certificados digitais, manipulação de dados cadastrais de magistrados e emissão fraudulenta de alvarás judiciais.
Até o momento, as investigações apontam que não houve envolvimento de servidores no crime. Segundo os agentes, esses profissionais seriam vítimas de roubo de dados de login e senha.






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