Governo Trump liga tarifaço a censura e prisão ilegal no Brasil; vídeo

Declarações de Jamieson Greer e Scott Bessent, em coletiva nos EUA, antecedem encontro de Mauro Vieira com Marco Rubio para discutir alívio das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros

O governo dos Estados Unidos voltou a justificar o tarifaço aplicado ao Brasil com acusações ligadas ao Estado de Direito. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (15/10), o representante comercial Jamieson Greer disse que 40% do aumento de tarifas sobre importados brasileiros se devem a “preocupações extremas com o Estado de Direito, censura e direitos humanos” no país.

Também houve houve a intervenção do secretário do Tesouro, Scott Bessent, ao afirmar que houve “detenção ilegal de cidadãos americanos que estavam no Brasil”.

As declarações ocorrem na véspera da reunião marcada entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio, em Washington, tentativa de destravar a pauta comercial após a alta tarifária. O encontro desta quinta-feira (16/10) foi confirmado por Lula e vem sendo tratado como uma rodada para atenuar o choque instaurado desde a decisão do governo Trump de elevar a alíquota geral para 50% a partir de agosto.

O Planalto tenta reverter o adicional de 40% criado neste ano, além do piso de 10% já existente, em meio a sinais de distensão após conversa telefônica entre Lula e Trump nos últimos dias.

Coletiva tratava inicialmente da China

Na coletiva que tratava principalmente de China, Greer vinculou quase metade do tarifaço a episódios que, segundo ele, extrapolam a seara comercial. Sem citar nomes, disse que “um juiz brasileiro tomou para si responsabilidades de ordenar que empresas dos EUA se autocensurem, dando-lhe ordens secretas para gerenciar o fluxo de informações”, e, em seguida, mencionou “a situação do Estado de Direito em relação a oponentes políticos no Brasil”.

Bessent interrompeu para inserir a acusação de “detenção ilegal” de cidadãos dos EUA em território brasileiro, reforçando o tom político da medida tarifária, conforme relatado pelo Metrópoles.

O aumento das tarifas foi formalizado em julho e passou a valer em agosto, conforme despachos da imprensa americana e brasileira. Na ocasião, a Casa Branca vinculou a decisão a uma série de queixas – entre elas “perseguição” e “censura” – e a um pacote mais amplo de revisões tarifárias.

Trump citou Bolsonaro em carta

O componente político ficou ainda mais evidente quando Trump, ao anunciar a elevação das tarifas, mencionou Jair Bolsonaro e criticou autoridades brasileiras, o que acentuou a leitura de que a medida não se restringe a temas de comércio.

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