Governo suspende registros de Willer em Angra; amigo de Flávio disputa mansão com Richarlison

Medida da Secretaria do Patrimônio da União impede temporariamente a transferência de direitos sobre terrenos na Ilha Comprida, incluindo área disputada pelo jogador Richarlison

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A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) suspendeu temporariamente os registros patrimoniais de quatro imóveis vinculados à empresa do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. Entre as áreas atingidas está o terreno reivindicado pelo atacante Richarlison, do Tottenham, que protagoniza uma disputa com o advogado pela ocupação do imóvel.

Como informa O Globo, a decisão tem caráter preventivo e busca impedir eventuais transferências de posse dos terrenos, que pertencem à União. Segundo despacho da secretaria, a suspensão dos Registros Imobiliários Patrimoniais no Sistema de Informação para Gestão de Imóveis Dominiais da União (Siapa) atende a uma representação administrativa apresentada pela deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP) e também considera anotações judiciais nas matrículas dos imóveis.

SPU investiga falhas na transferência do terreno

A medida ocorre enquanto a secretaria apura possíveis irregularidades no procedimento administrativo que autorizou a transferência dos direitos de ocupação de uma das áreas para uma empresa ligada a Tomaz.

Um dos pontos que chamaram a atenção dos técnicos foi a rapidez na emissão de uma Certidão de Autorização para Transferência (CAT). Em 11 de julho de 2022, a empresa M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos solicitou a emissão manual do documento, alegando problemas no sistema eletrônico. A certidão foi expedida apenas uma hora e 40 minutos depois.

O documento autorizava a transferência dos direitos sobre uma área de 1.435,50 metros quadrados. A empresa informou ter recolhido R$ 57.327,19 em laudêmio, valor pago à União para viabilizar a transferência de direitos sobre terrenos federais. Entretanto, a própria certidão ressalvava que não havia sido verificada a regularidade de todas as demais obrigações financeiras perante o Patrimônio da União.

Outro questionamento envolve uma orientação interna utilizada para fundamentar a autorização. Quase dois anos depois da emissão, um servidor reconheceu que a circular que embasava o procedimento especial não havia sido anexada ao processo administrativo.

Dúvida sobre a área reivindicada por Richarlison

A SPU também investiga se o terreno reivindicado pela empresa Sport 70, ligada a Richarlison, corresponde à área cadastrada no procedimento de transferência para a empresa de Tomaz.

Em setembro de 2021, a Sport 70 solicitou a regularização da ocupação de um imóvel de 4.409 metros quadrados, com 834,36 metros quadrados de área construída. Já o cadastro utilizado na transferência para a M Locadora identificava um terreno de 1.435,50 metros quadrados.

Em agosto de 2026, um servidor da secretaria apontou que os documentos apresentados não permitiam confirmar se as duas descrições correspondiam ao mesmo imóvel.

Richarlison afirma ter adquirido o imóvel em 2020, por R$ 10 milhões, de antigos ocupantes da ilha. Posteriormente, procurou a SPU para regularizar a ocupação. Willer Tomaz, por sua vez, sustenta que os antigos moradores não eram proprietários e afirma ter adquirido os direitos sobre a área de uma empresa que já possuía registro junto à União.

O caso ganhou repercussão durante a campanha presidencial, quando o jogador publicou vídeos nas redes sociais acusando Tomaz e Flávio Bolsonaro de terem atuado para retirar seus direitos sobre a propriedade. Richarlison afirma que a disputa começou depois de se recusar a vender o imóvel ao senador. Os envolvidos contestam as acusações.

Procurado, Willer Tomaz informou, por meio de sua assessoria, que não vai se manifestar. A suspensão dos registros é temporária e não representa, por si só, uma decisão definitiva sobre a titularidade ou os direitos de ocupação dos terrenos.

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