O governo federal está buscando medidas que ajudem a conquistar o apoio de evangélicos e trabalhadores de aplicativos como parte de uma estratégia para enfraquecer o eleitorado bolsonarista ou, ao menos, conter seu avanço.
Após a manifestação em apoio a Bolsonaro, aliados do presidente admitiram que o evento ressaltou a necessidade de adotar medidas direcionadas a esse público. As discussões sobre essa estratégia foram consolidadas ao longo da semana em reuniões.
Para março, estão sendo planejadas ações que já vinham sendo debatidas desde o ano anterior. Uma delas é o anúncio, previsto para segunda-feira (4), de um projeto que estabelece a remuneração por hora trabalhada para motoristas de aplicativos. Esse projeto, fruto de acordo com as plataformas, também incluirá contribuições previdenciárias para esses trabalhadores.
Além disso, neste mês, espera-se a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que garantirá imunidade tributária a igrejas e templos religiosos. A promulgação está prevista para a Semana Santa. A bancada evangélica vê essa medida como uma oportunidade para o governo fortalecer seus laços com esse segmento.
Estima-se que essa PEC represente uma renúncia fiscal de aproximadamente R$ 1 bilhão por ano. Os benefícios concedidos aos templos incluirão até mesmo isenção de tributos sobre materiais de construção e compra de veículos.
No entanto, a PEC não resolve completamente a questão da contribuição previdenciária das igrejas. Portanto, o governo espera concluir, também em março, a elaboração de um parecer jurídico que permita ampliar os benefícios fiscais para essas instituições, incluindo a isenção de contribuição previdenciária.
Esses benefícios foram temporariamente suspensos no ano passado pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, devido a uma iniciativa do Ministério Público de Contas. O autor da PEC, o ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella, esclareceu que a suspensão não foi uma decisão do governo, e sim uma resposta a uma demanda do Ministério Público de Contas.
A proposta da PEC foi aprovada pela Comissão Especial na terça-feira (27) e agora será submetida ao plenário. Os governistas indicaram apoio ao texto, destacando a importância de fortalecer as igrejas para garantir a imunidade tributária.
Em resposta à manifestação de domingo, emissários do governo federal alertaram parlamentares da Câmara dos Deputados que aqueles que assinaram o pedido de impeachment contra o presidente Lula devido às suas declarações sobre as mortes na Faixa de Gaza enfrentarão consequências do Executivo.
Auxiliares de Lula têm se dedicado a tentar desviar o foco da manifestação bolsonarista, embora tenham reconhecido que o ex-presidente conseguiu reunir aliados políticos influentes.
Com informações da Folha de S. Paulo.





