O governo chileno ainda contabiliza os danos e as mortes causadas pelos 204 incêndios que atingiram a zona centro-sul do Chile na sexta-feira.
Até agora, foram noticiadas 13 mortes. O caos causado pelo fogo levou o país a decretar estado de catástrofe na região centro-sul do país.
De acordo com informações do Globo online, o presidente Gabriel Boric encurtou suas férias de verão e viajou para Nuble e Bío-Bío. Na manhã de hoje, ele reuniu sua equipe no Palácio La Moneda para traçar estratégias de combate ao caos provocado pelo desastre ambiental, segundo o jornal chileno La Tercera.
As últimas pesquisas de Plaza Publica Cadem, divulgadas perto de Boric completar um ano de mandato no dia 11 de março, apontam 70% de desaprovação do presidente. O percentual é um recorde na plataforma que mede semanalmente a opinião pública sobre assuntos variados.
Duas mortes foram registradas em La Araucanía, quando um helicóptero que participava do combate aos focos caiu, matando o o piloto e o mecânico que trabalhavam no combate ao fogo na comuna de Galvarino.
Segundo autoridades, o fogo arrasou mais de 47 mil hectares de terra e deixou 97 residências totalmente destruídas, além de 22 feridos. Dos 204 incêndios ativos, 56 estão fora de controle.
Inicialmente, a ministra do Interior, Carolina Tohá, havia falado em quatro vítimas. “Temos que lamentar a confirmação de quatro pessoas mortas. São pessoas que se locomoviam em veículos” na localidade de Santa Juana, na região de Biobío.
A funcionária explicou que duas das vítimas morreram após serem alcançadas pelas chamas quando transitavam por uma estrada, enquanto outras duas faleceram por um acidente de trânsito, “provavelmente tentando escapar do fogo”.
Depois veio a informação de uma quinta pessoa morta, também em Santa Juana: uma voluntária do corpo de bombeiros da localidade.
“Temos que destacar que há 13 mortos no total, 11 no município de Santa Juana e um piloto e um mecânico que estavam em um helicóptero que desempenhava sua função de combater esse incêndio”, informou Mauricio Tapia, diretor nacional substituto do Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred).
A situação, que está longe de ser controlada, traz à memória a catástrofe vivenciada nessa região no começo de 2017.
Na época, um mega incêndio florestal deixou 11 mortos, cerca de seis mil pessoas atingidas, mais de 1.500 casas destruídas e 467 mil hectares afetados. Assim como naquele ano, os focos de incêndio começaram em áreas de cultivo e em bosques, e avançaram até ameaçar e afetar áreas povoadas.
O tráfego por uma das rodovias principais que leva à cidade de Concepción (510 km ao sul de Santiago) teve que ser restringido desde ontem pela proximidade das chamas. Um dos epicentros da tragédia é a localidade de Santa Juana, 52 km ao sul de Concepción.
De acordo com um morador, entrevistado pela rádio Cooperativa, o fogo começou a ameaçar as casas por volta das 7h da manhã de ontem. Ao meio-dia, as chamas já tinham praticamente envolvido a propriedade, apesar dos esforços de seu dono para impedi-lo.
O governo do Chile declarou nesta sexta-feira o estado de exceção de catástrofe nas regiões de Ñuble e Biobío. Os focos também afetam as regiões de Maule e La Araucanía. O presidente Gabriel Boric decidiu suspender suas férias e se deslocou até Concepción.
“Vamos realizar patrulhas por toda a região. O mais importante agora é apagar os incêndios. O Estado está mobilizado para isso”, disse o presidente.
A declaração do estado de catástrofe, um estado de exceção constitucional, permite medidas como a disponibilização de recursos adicionais para controlar a emergência e ir em socorro dos atingidos, e restringir o recurso às forças militares para esta situação de emergência.
Os incêndios, que começaram durante uma onda de calor extremo com temperaturas próximas dos 40°graus e no meio de uma seca severa e prolongada, são causados em 99% por razões humanas.
O Ministério Público anunciou a detenção de duas pessoas vinculadas com os incêndios nas regiões de Biobío e La Araucanía. No combate ao fogo trabalham 75 aeronaves e mais de 2.300 brigadistas. A ministra Tohá anunciou hoje a contratação de outros 10 aviões e estudava alugar mais aeronaves no exterior.





