Dois pedidos de impeachment contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), foram protocolados na Câmara Legislativa do DF (CLDF) após o avanço das investigações sobre a tentativa frustrada do Banco de Brasília (BRB) de adquirir o Banco Master. As representações apontam supostos crimes de responsabilidade cometidos durante as negociações, que envolveram operações financeiras bilionárias e acabaram barradas pelo Banco Central por suspeitas de fraude.
Os pedidos ainda aguardam despacho do presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB-DF), aliado político de Ibaneis. Em declaração feita na última segunda-feira (26), Wellington afirmou que só irá se manifestar após o fim do recesso parlamentar, previsto para esta segunda-feira (2).
Pedidos também chegam ao MPF
Além das iniciativas na Câmara Legislativa, o governador também passou a ser alvo de dois pedidos formais de investigação enviados ao Ministério Público Federal (MPF), ampliando a pressão política e institucional sobre o Palácio do Buriti.
O primeiro pedido é assinado por:
- Rodrigo Dias, Rodrigo Rollemberg, Ricardo Capelli e Leonardo Pinheiro (PSB-DF);
- Cristovam Buarque, presidente do Cidadania-DF;
- Os advogados Rodrigo Pedreira e Lynecker Juliano.
O segundo pedido tem a assinatura de:
- Giulia Tadini, presidente regional do PSOL-DF;
- Os deputados distritais Fábio Félix e Max Maciel.
Negociação bilionária sob suspeita
O Governo do Distrito Federal é acionista controlador do BRB, com 71,92% do capital do banco público. Ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir uma fatia relevante do Banco Master, operação que contou com apoio público e político de Ibaneis Rocha, mas acabou vetada pelo Banco Central.
Posteriormente, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após identificar suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB, em operações que somaram R$ 12,2 bilhões.
Entre 2024 e 2025, o BRB teria injetado R$ 16,7 bilhões no Banco Master, movimentações que, segundo o Ministério Público, apresentam indícios de gestão fraudulenta.
Reuniões com dono do Banco Master
Nas últimas semanas, Ibaneis confirmou, em entrevista à TV Globo, que se reuniu ao menos quatro vezes com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, entre 2024 e 2025. O governador, no entanto, nega que os encontros tenham tratado da compra da instituição pelo BRB.
Crimes de responsabilidade apontados
No pedido assinado por integrantes do PSB, Cidadania e advogados, são elencados sete crimes de responsabilidade, entre eles:
- Omissão dolosa na responsabilização de dirigentes do BRB por atos considerados ilegais;
- Apoio político e institucional a uma operação considerada irregular, sem apuração interna eficaz;
- Expedição de diretrizes contrárias à Constituição, mesmo sem assinatura direta do contrato;
- Tentativa de convalidar a operação junto à CLDF após questionamentos judiciais;
- Conduta incompatível com o decoro do cargo, ao politizar decisão técnica do Banco Central;
- Realização de despesas e operações financeiras sem autorização legislativa prévia;
- Exposição patrimonial bilionária do banco público, sem transparência e estudos técnicos adequados.
Cenário político em alerta
O avanço das investigações e a pressão por impeachment colocam o governo Ibaneis Rocha em um dos momentos mais delicados desde o início do mandato, com reflexos diretos na relação entre Executivo, Legislativo e órgãos de controle.






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